Bloomsday

Thais Marinho | Pra Ler

“Hoje é dia de Bloomsday!” (tecnicamente ontem, já que agora são quase uma hora da manhã, já é dia 17). Esse foi o tweet que eu vi logo de manhã. “Bloomsday?” – ar de estranhamento. De qualquer forma, durou pouco. Lá vou eu rumo a meus afazeres do dia sem nenhum resquício de Blom-não-sei-o-que na cabeça. Ligo o rádio já no meio de uma notícia. O carro se enche de sons sem prender muito minha atenção. Quando, de repente, uma palavra se desprende dos auto-falantes e me acerta em cheio. Adivinha qual que era? Aí, pronto. Fiquei encucada o resto do dia. E agora, cá estou eu escrevendo um post sobre esse tal de Bloomsday, do qual eu não fazia menor idéia da existência. Esse blog está até me servindo de alguma coisa, num é?

Bom, foi Leopoldo Bloom a inspiração pro nome da data. A personagem deu as caras em um romance  de James Joyce. Ulisses. Dia 16 de junho é a data em que se desenrola toda narrativa. O livro é a saga – homérica – (sim, não é mera coincidência a semelhança com a Odisséia de Homero) de Bloom, desde às 8 horas da manha do dia 16 até as primeiras horas do dia seguinte. Reza a lenda que Joyce escolheu usar essa data no livro por que foi a primeira vez que saiu com aquela que seria sua esposa depois, Nora Barnacle. Joyce é um escritor irlandês. Sua obra mais famosa é Ulisses, que é considerada um dos grandes romances do século XX.

O Bloomsday é uma data festiva, meio que dedicada ao autor e sua obra e meio que uma forma de comemorar a literatura. Uma das primeiras comemorações foi em 1929. Na verdade, um almoço organizado por Sylvia Beach, editora do livro. Em 1954 foi a primeira vez que a data foi comemorada na Irlanda. Hoje, o dia é lembrado em todo o mundo. Às vezes com dois, três dias de eventos. Em São Paulo andou tendo muita coisa. Veja aqui. Já em BH, fiquei sabendo por alto só de alguma coisa no Parque Municipal – que aliás nem sei direito do que se tratava (essas informações devem estar no meio daquelas que saíram pelo vidro do carro, sem que eu percebesse). Para saber mais, clique aqui.

ulysses

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.