Com os dias contados

Com os dias contadosRedd Angelo / unsplash

Computador. Internet. Celulares. Tecnologias cada vez mais modernas, que trazem acesso à informação como nunca imaginamos ser possível. Estamos na Era da Informação. Mais, estamos na Era da Informação em Telas. Com tudo isso, veio também um boato. De início chegou baixinho, quase um sussurro. Hoje, é um baita dum grito que alardeia para quem quiser ouvir uma sentença de morte ao livro de papel.

A machadada mais recente foi o Kindle. Já ouviu falar? É um ipod para livros. Ele começou a ser vendido no Brasil em outubro, mas já é vendido nos Estados Unidos desde 2007. Nesse aparelho dá pra ler os livros na tela e armazerna até 1,5 mil obras. Bom, aí entra o primeiro problema (além do preço salgadinho, cerca de mil reais): os livros virtuais são comprados no site da Amazon, e ainda não tem nada em português. Entre aqui, no site do portal Uai, pra saber mais sobre o Kindle.

Mas essa história de morte do livro não lembra alguma coisa? Não soa um tanto familiar? Na verdade, já  ouvimos sentenças bem parecidas com essa. Sabe o rádio? Já era para estar a sete palmos abaixo do chão. Não bastasse ter ameaçado o meio radiofônico, a Tv ainda, de quebra, causou arrepios no cinema . O jornal impresso é, hoje em dia, o condenado à morte número 1 na fila de espera. Por enquanto, nenhum deles morreu, mas é um fato que todos mudaram para se adaptar à chegada da concorrência.

Com o livro não é muito diferente. Se há alguns séculos, a leitura era divertimento para a classe burguesa (que era quem sabia ler), hoje é a Tv e o computador que ocupam esse espaço. Reflexo disso é que viver da venda de livros não é fácil. Uma das maiores rede de livrarias do Brasil divide as suas lojas entre estantes, jogos de computador, DVDs, produtos de papelaria, material escolar e quase sempre um Café e uma lan house. É difícil achar quem venda só livros.

Mas os livros estão lá. Mesmo que sufocados entre uma mochila e um urso de pelúcia. E há quem compre. E há quem leia. Pelo jeito, é bom desconfiar dessa morte anunciada.

E pra não perder o costume de aproveitar aqui os trabalhos de faculdade, aqui vai o link do flirck com umas fotos que eu fiz pra uma disciplina de fotodocumentário. O título é: Tempo esgotado? E o tema é justamento o suposto fim do livro.

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.