Twitter e literatura, tudo a ver

Twitter e literatura, tudo a verDylan Luder / unsplash

Perdão pela breguice do título, mas a idéia da presença da literatura no twitter é essa mesmo. O que, com certeza, não era a intenção inicial do norte-americano Jack Dorsey quando ele criou a ferramenta, em 2006. Twitter e literatura é o tema de um dos programas de rádio do Pra Ler!. Isso porque é um assunto super ligado aos jovens e também porque, atualmente, as iniciativas de twitteratura pipocam na rede.

Um exemplo legal é o Twijote (Twitter + Don Quijote, para você que não entendeu). O projeto foi criado pelo designer espanhol Pablo Lopez. Ele pretende publicar D. Quixote em 8.200 tuites. A estimativa é que todos esses tuites levem mais ou menos um ano para estarem no ar. O bacana é que o Twijote é colaborativo, ou seja, pra funcionar, você tem que participar. Quando entrar no aplicativo,  já vai estar lá, pronto, o próximo tuite com um trecho do livro. Cada perfil de twitter só pode participar uma vez. Dá para acompanhar a montagem da obra pela tag #twijote.

Outra adaptação é a do livro Santos-Dumont Número 8: O Livro das Superstições, escrito por Claudio Soares e que chegou às livrarias em 2006. O autor resolveu transformar as páginas da obra em tuites. Foi a primeira vez que um brasileiro topou adaptar um texto tão longo. São 464 páginas. Cláudio também utilizou várias outras redes sociais, como o Blip.fm. Assim, ele podia associar uma determinada música ou vídeo a um trecho do livro. Cláudio também criou um perfil para cada personagem da obra, assim eles narram os fatos de acordo com o seu ponto de vista.

Como nem só de adaptações vive o twitter, tem também pessoas que estão produzindo literatura específica para essa rede social. Um exemplo é Fabrício Carpinejar,  @carpinejar, que vai participar do Pra Ler! versão rádio tuitando verbalmente um dos seus microcontos. Ele é escritor e jornalista. Já escreveu quatorze livros. Um deles, o www.twitter.com/carpinejar, da editora Bertrand Brasil, foi lançado a partir dos seus tuites. Outro exemplo é o Coletivo Sem Ruído, @semruido. Eles produzem microcontos que são depois colados em locais da cidade de São Paulo. As fotos dessas intervenções urbanas estão no site www.flickr.com/semruido. Ainda podemos citar o Leo Cunha, escritor e jornalista, dono do twitter @frase_e_verso, onde publica poemas, aforismos, palíndromos e afins. Algumas coisas são feitas especificamente para o twitter, outras adaptadas de seus livros. O Leo vai participar do programa sobre twitter dando dicas de perfis bacanas.

E por aí vai. Para ver outras experiências literárias no twitter, dê uma olha no mapa colaborativo que a jornalista e mestranda em estudos da linguagem no CEFET-MG, Raquel Camargo, criou. Raquel é outra que vai marcar presença no Pra Ler!. Ela nos concedeu uma entrevista sobre twitteratura. Logo, logo, os áudios das entrevistas do primeiro programa já vão estar aqui no blog.

 

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.