Universo alternativo

Universo alternativoRedd Angelo / unsplash

Harry Potter e as Relíquias da Morte poderia ter terminado de uma forma diferente da que os fãs conhecem. Isso teria acontecido se J. K. Rowling não tivesse descartado uma das primeiras ideias que teve para o fim da saga. Quem traz a versão alternativa para os fãs é o jornalista e escritor, Greg Palast, que fez amizade com a autora justamente na época de lançamento de Relíquias.

Palast diz em seu site que, na época, ele e Rowling dividiam a lista dos mais vendidos do The Guardian. A amizade dos dois começou graças aos filhos do jornalista, que eram fãs do bruxinho e acabaram aproximando os autores.

Ele encheu tanto o saco de Rowling para que contasse os finais alternativos para a história de Harry que ela acabou cedendo. “Todo autor os tem – e nós sempre olhamos para os nossos rascunhos, depois da publicação, e dizemos: Droga, eu deveria ter usado essa versão – então nós os escondemos antes que alguém veja e concorde com a gente”, conta.

Em vez de mostrar os rascunhos, Rowling contou para Palast qual seria um dos finais alternativos. Na mesma noite, em outubro de 2007, ele pegou a história que havia ouvido e a colocou no papel. Na versão contada pela autora, Harry e Voldemort se enfrentam na Floresta Proibida, mas em vez de Você-sabe-quem atingi-lo com uma maldição da morte, ele lança um feitiço criado por ele mesmo, que concentra o beijo dos dementadores que estão a sua volta para que ele possa lançar sobre a sua vítima.

O feitiço atinge Harry, destrói a cicatriz e se volta contra Voldemort. Quando atinge o bruxo das trevas, ele sofre um processo de Benjamin Button e rejuvenesce. Os pais de Voldemort surgem durante esse processo de rejuvenescimento e são congelados junto com o filho. Todas as memórias do mundo bruxo com relação a Voldemort são apagadas e a estátua dos Riddle passa a ser apenas uma curiosidade nos terrenos de Hogwarts.

Congelado assim, como o pequeno Tom Riddle

E sim, também tem um “X anos depois”. Ao contrário do “19 anos depois” do final original, na versão alternativa ele acontece no ano de 2130, com Harry já como diretor de Hogwarts (após McGonagall e Chang). Gina a essa altura se transformou em uma ave do paraíso e habita o escritório de Harry. E o final é o mais impressionante de todos, com insinuações de que o tataraneto de Harry possa ser um novo Lord das Trevas.

E Palast ainda brinca com Rowling em seu site, soltando um “Desculpe, Jo, esse é o perigo de fazer amizade com um repórter investigativo – se você esquecer de usar as palavras mágicas ‘isso é em off’”.

Leiam o final alternativo, em inglês, aqui.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.