Pautas

Gabriella Hauber | Pra Ler

Antes de fazer qualquer reportagem, entrevista, matéria ou o que for, é aconselhável que os jornalistas façam uma pauta. Aquele esquema do que abordar, qual o foco e o que pretendemos com o texto final. A pauta é importante, serve de guia para não nos perdermos durante a apuração. É tão importante que tem gente que tem como função principal pensar e procurar pautas: os famosos pauteiros. Por outro lado, tem gente que trabalha com tanta pressa que nem tempo pra pensar uma pauta tem. Já vai logo fazendo as entrevistas (ou nem isso!) e escrevendo a matéria.

Já percebi que as pautas, quando bem feitas, ajudam muito. Na hora de escrever e de fazer os roteiros de entrevista, é sempre bom ter uma pauta a qual recorrer. Mas às vezes tenho uma relação contraditória com elas. Ao mesmo tempo em que são necessárias e importantes, podem ser um pouco prepotentes, talvez. Pode acontece de termos uma ideia fechadinha de pauta, daquelas que nem sabemos como tivemos e, orgulhosos, chegamos até a achar genial, por que não?

Então, escrevemos tudo no papel: tema, foco, resumo, perguntas. Pode ser até que já tenhamos pronto na nossa cabeça um esboço de uma estrutura final. As perguntas todas direcionadas para aquilo que queremos ouvir. Algumas vezes, inclusive, já sabemos as respostas e só queremos mesmo alguém para falar por nós, só queremos as famosas e desejadas aspas – mas isso é assunto pra outro desabafo.

Voltando, então, às nossas expectativas em relação à pauta e às respostas dos entrevistados… Se não em todas, na maioria das vezes, já temos uma resposta na nossa cabeça e queremos muito ouvi-la. Ingenuidade, eu sei. E prepotência, talvez. Pode ser que o entrevistado responda do jeitinho que queríamos (sorte!). Mas o mais comum é a resposta (a aspa) ideal não sair nunca, por mais que tentemos arrancá-la. Lá no fundo, pensamos assim: por que você não fala desse jeito? Simplesmente porque as coisas podem não ser do jeito que planejamos e queríamos que fosse. E aquela pauta genial, linda e perfeita cai. Mas sem pessimismo, pode ser que o novo foco seja ainda mais interessante.