Quando o Nobel será verde e amarelo?

Quando o Nobel será verde e amarelo?kaboompics / reprodução

A lista de nomes possíveis para o Prêmio Nobel de Literatura 2011 vai de J. K. Rowling, passa por Phillip Roth, e chega até a Umberto Eco. Pelos números da casa de apostas inglesa Ladbrokes o nome com mais chances de ganhar é o poeta e ensaísta sírio Adonis, sobretudo no contexto recente de Primavera Árabe. Há pouco mais de um mês, a casa de apostas Unibet apontava favoritismo para o japonês Haruki Murakami e o norte-americano Cormac McCarthy.

A surpresa no páreo da Unibet é a presença de dois brasileiros – Leonardo Boff e Paulo Coelho, este com as mesmas chances da criadora de Harry Potter. Será que algum brasileiro fatura o Nobel este ano? Confira alguns autores que bateram na trave para levar o prêmio da Academia Sueca ao nosso país tropical:

Carlos Drummond de Andrade – foi cotado, mas o itabirano não estava nem aí para a disputa. Em 1967, seu tradutor para o sueco pediu todas as suas traduções disponíveis e Drummond não quis colaborar. Apesar de o pedido ter vindo do Comitê Nobel de Literatura, o poeta tinha outro preferido para levar a honraria. Em suas crônicas para o Jornal do Brasil, vivia falando que Jorge Amado é quem merecia o prêmio.

 

 

Jorge Amado – Como a indicação do amigo mineiro não era suficiente para convencer o comitê, o pai de Gabriela Cravo e Canela ficou sem o troféu. A verdade, no entanto, é que ele também foi um candidato forte até morrer, em 2001. Dizem que o ano em que ele esteve mais perto da vitória foi 1967, pouco depois de Dona Flor desfilar com seus dois maridos.

 

 

Jorge de Lima – Um olheiro do Nobel descobriu esse poeta alagoano em 1947. Arthur Lundkvist ficou tão encantado com a obra de Lima que foi ao Rio procurá-lo em 1950.  O visitante, que sabia de cor alguns poemas do autor, garantiu que na volta a Estocolmo convenceria a Academia a premiar o brasileiro em 1957 ou 1958. É que havia outros nomes na fila que deveriam ser homenageados primeiro. Não deu tempo de Lundkvist cumprir a promessa: Jorge de Lima faleceu em 1953.

 

Guimarães Rosa – Este foi outro sem sorte. Além de falecer três dias depois de sua posse na Academia Brasileira de Letras, sua morte chegou no ano em que seria indicado para o Nobel. Diz seu amigo Otto Lara Rezende que uma vez saiu uma nota no jornal mencionando a possibilidade dele ganhar o prêmio. Guimarães ficou apavorado e explicou a Otto o porquê, brincando: “O Nobel mata”. Tinha razão.

 

 

Em 2010, houve certa expectativa pela vitória do poeta Ferreira Gullar porque fazia muito tempo que um latino-americano não levava a melhor. Por fim, nosso vizinho peruano Mario Vargas Llosa é quem saiu na frente. Por causa disso, dificilmente algum escritor brazuca ganha este ano.  Esperemos a próxima quinta – ou até o ano que vem.

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.