Era uma vez… [3]

Pedro, o Coelho
praler | Pra Ler

Minha memória nunca foi das melhores, mas uma das poucas coisas que eu lembro é o primeiro livro que eu li. Ou melhor, que leram para mim. Dia desses, organizando minimamente meu armário, me deparei com um livro grande, fininho e com um coelhinho de paletó azul na capa. Agora sei falar exatamente quando ganhei “Todas as aventuras de Pedro, o coelho”: 1992, eu tinha acabado de completar meus quatro anos. A dedicatória diz “Para nossa linda Gabriella. Com muito carinho de sua mãe e de seu pai. Natal de 1992”, com um adesivo enorme de Papai Noel embaixo.

Foi engraçado ver o livro de novo. Algumas recordações foram surgindo na minha cabeça. Sabe quando a gente sente um cheiro e lembra de um determinado momento da vida? Então, no meu caso, lembrei de mim deitada na cama e minha mãe, com o livro aberto, ao meu lado. Ela sempre lia pra mim até eu pegar no sono. Como a maioria dos livros infantis, “Pedro, o Coelho” tem várias gravuras e, enquanto minha mãe decifrava para mim o que as letrinhas diziam, eu acompanha a história pelos desenhos.

Folheando o livro agora, cheguei, por questões de segundos, a sentir uma coisa ruim quando vi a imagem em preto e branco de um lobo – acho que veio a lembrança do medo que eu sentia quando tal lobo aparecia na história. Lembrei também da ansiedade que eu ficava pra saber o que aconteceria com travesso e desobediente Pedro. Olhando agora, o livro não me parece grande, mas foram várias noites até chegar ao final e me sentir aliviada vendo todos os coelhos ficarem bem depois de tanta aventura. Se for reler agora, acho que numa sentada só chego ao antes tão esperado final.