A homoafetividade em obras literárias

A homoafetividade em obras literáriasRedd Angelo / unsplash

Não é possível categorizar certo tipo de literatura como homoerótica. Foi o que a reportagem do programa 18,  que foi ao ar na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM), apresentou. Temas ligados à homoafetividade aparecem em obras literárias brasileiras há muito tempo e de diferentes formas. Como autores contemporâneos estão falando sobre o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo? Confira abaixo escritores e escritoras que tratam da homoafetividade em suas produções literárias.

João Silvério Trevisan

“Eu, enquanto homossexual, não nasci predestinado pra escrever com uma tendência poética. Não há predestinação na poesia. Minha experiência homossexual naturalmente marca a minha poesia, naturalmente marca a minha abordagem, mas ela não determina um estilo. Mesmo porque eu não sou apenas homossexual, há um monte de outras coisas que me compõem e que certamente compõem o meu caldo de cultura que me leva a escrever”. Escritor, tradutor, jornalista, diretor de cinema, João Silvério Trevisan nasceu em Ribeirão Bonito, São Paulo, em 1944. É militante e ativista LGBT. Na década de 70 fundou o grupo Somos, que defendia os direitos dos homossexuais. João Silvério escreve ficção, poesia, ensaios, dramaturgia e roteiros.

Silviano Santiago

“Compete aos heterossexuais, isso sim, mudar de comportamento, adotando normais contratuais de tolerância. Não compete ao homossexual introjetar a culpa pela conduta dita desviante, punindo a si pela expiação e, por aí, chegando a adotar normas contratuais de vida pública em que se auto-exclui da sociedade como um todo em vias de normatização”. Esse é um trecho do ensaio O homossexual astucioso, do mineiro Silviano Santiago. Silviano é ensaísta, poeta, professor,contista e romancista. É autor de O olhar, Stella Manhattan, Uma história de família, Keith Jarrett no Blue Note, Nas malhas da letra e muitas outras obras literárias.

Bernardo Carvalho

“A literatura é a possibilidade de escapar de um lugar no mundo, que é humano e restrito. Nenhum livro meu deixa de ter relação homossexual”. Esse é Bernardo Carvalho, o autor de Aberração, Mongólia, O filho da mãe e outros romances. Bernardo Carvalho é jornalista e um dos maiores escritores contemporâneos.

Márcia Denser

“A busca de um amor impossível, de um sexo previsível, mas raramente a constatação da entrega. Jamais os personagens de Márcia Denser se permitem a alegria integral, o orgasmo espiritual”. Esses são alguns traços da obra da paulistana Márcia Denser observados pelo escritor e jornalista Bernardo Ajzenberg.  Márcia é autora de livros como Tango fantasma, O animal dos motéis e Exercícios para o pecado. Escreveu o prefácio do volume II  de O caio em 3D, O Essencial da Década de 80, do amigo Caio Fernando Abreu. “Éramos culturalmente parecidos: contestadores, oustsiders, tínhamos um trabalho radical”.

 João Gilberto Noll

O escritor gaúcho João Gilberto Noll é autor de O Cego e a Dançarina, A Fúria do Corpo, Acenos e Afagos, Anjo das Ondas e mais uma dezena e meia de livros. Para o pesquisador Marcos Jesus de Oliveira, “a estética do autor transgride os discursos existentes sobre o sexo e revela a natureza incompleta e contingente das ideologias e verdades oficiais a respeito da homossexualidade, contribuindo para expor as ambivalências e antinomias próprias dos discursos dominantes e de suas estruturas de poder”.

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques