Cada palavra

Jessica Soares | Pra Ler

O avô pega o papel em branco e escreve uma palavra. Passa o papel para o menino e o incentiva a escrever outra na frente. A partir das duas, o homem inventa uma frase. Mais duas palavras pensadas de improviso, mais uma oração. E assim continua a brincadeira. De palavra em palavra, de metáfora em metáfora, o avô foi construindo no pequeno Bartolomeu Campos de Queirós a paixão pelas letras que virou, tempos depois, amor pelos livros e pela literatura*.

Foi justamente sobre esse amor (e como despertá-lo em outras pessoas) que o Pra Ler conversou com Bartolomeu em julho de 2011. A entrevista fez parte de uma reportagem sobre movimentos de incentivo à leitura, que foi ao ar no dia 18 de agosto. A íntegra da conversa com Bartô, entretanto, ainda estava guardadinha nos nossos arquivos, inédita. Vamos ouvir agora as palavras do escritor sobre o que ele tanto amava:

*O caso de amor de Bartolomeu pelas palavras foi contado em entrevista ao Projeto Paiol Literário, realizado pelo Jornal Rascunho, no dia 07 de junho de 2011. Os melhores momentos da conversa podem ser lidos aqui.

Jessica Soares

As páginas amareladas, a poeira da capa, o lugar escondido no armário em que esperava por ser desbravado – a história sempre teve início antes das palavras. Nunca pisei no solo de outro planeta. Mas, na falta de naves, aviões e ônibus de viagem, embarquei nas páginas dos livros, que nunca falharam em me levar para longe.