Boom de biografias em quadrinhos

Boom de biografias em quadrinhosRedd Angelo / unsplash

A trajetória de Fidel Castro através dos olhos de um repórter alemão que cobre a Revolução Cubana. Ou a vida de Pablo Picasso contada por uma de suas amantes francesas. Essa mistura de ficção e realidade resultou em dois tipos de narrativas bem diferentes – biografias em quadrinhos. A novidade tem feito grande sucesso na França e chega aos poucos ao Brasil.

A biografia do ex-líder cubano, criada pelo alemão Reinhard Kleist, chegou recentemente ao nosso mercado pela editora gaúcha 8Inverso. A história retrata a luta de Fidel com seu irmão Raúl, Che Guevara e Camilo Cienfuegos sem se render aos estereótipos mais comuns. O calhamaço de 285 páginas traz um texto sério, mas também se permite humor em algumas passagens, como ao falar dos atentados contra Fidel Castro. O cenário da ilha foi descoberto por Kleist anos antes durante uma viagem. A narração em Castro fica por conta de um jornalista alemão imaginado – curiosamente batizado de Karl – que vai à Cuba para cobrir a implantação do comunismo após a queda de Fulgêncio Batista em 1959.

Não é a primeira vez que Reinhard Kleist se aventura nesse ramo – que ganhou o apelido de biograficafias na França. Em 2006, ele já havia publicado a história do músico norte-americano Johnny Cash em gibis. Os quadrinhos sobre o cantor focam no marcante episódio em que ele se apresentou dentro de uma penitenciária californiana no fim da década de 60.

Na Europa, as biografias em quadrinhos estão cada vez mais populares. Além da história de Picasso, feita pelo desenhista Clément Obrerie e pela roteirista Julie Birmant, a escritora Virginia Woolf e o psicanalista Sigmund Freud também ganharam sua versão em desenho pelos traços de outros autores. No romance gráfico Pablo 1. Max Jacob não foram usadas imagens de suas telas porque isso encareceria o produto final com custos de direitos autorais. A narrativa, que deve ser lançada em breve no Brasil, é centrada nos primeiros anos do artista na capital francesa. A HQ é narrada por Fernande Olivier, modelo que foi amante de Picasso, e também retrata o esplendor do bairro parisiense de Montmartre no começo do século passado.

Notícia lá da Folha de S. Paulo.

Victor Vieira

Não leio bula de remédio. Falar isso seria exagero e estou longe de virar hipocondríaco. Mas é verdade que com as letras arrisquei quase tudo. No jornalismo, aprendi a espremer palavras para sair notícia. A ficção me ensinou a percorrer lugares na distância entre uma prateleira e outra. E escrever garante, a mim e a quem mais embarcar, novos roteiros para essas viagens.

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