[Em off] Literatura sobre literatura

[Em off] Literatura sobre literaturaMaciej Korsan / reprodução

Leitor ávido e escritor com dois livros publicados – e muito elogiados pela crítica –, Antônio Xerxenesky tem apenas 28 anos. O gaúcho de Porto Alegre é ainda editor da Não Editora e organiza a revista online de crítica literária Cadernos de Não-Ficção. O Pra Ler bateu um papo com Antônio para conhecer melhor seu trabalho e suas ideias. Toda a conversa girou em torno de um ponto muito forte da sua obra: a metalinguagem. Antônio Xerxenesky também falou da sua relação com o mundo acadêmico. Uma parte do papo foi ao ar na Rádio UFMG Educativa, no programa dessa quinta. Toda a conversa segue logo abaixo, junto com a leitura de um trecho de A Palavra Assombrada por Fantasmas (Rocco, 2011), segundo livro publicado do autor:

Antônio, existe alguma linha norteadora ou ponto que você busque tratar na sua obra?
Tem sim. Todo o meu trabalho, além de contar uma história que busque entreter o leitor e ser cativante, sempre tem um negócio muito auto reflexivo de usar a literatura pra pensar a própria literatura. Está presente em tudo o que eu escrevi até agora e que estou tentando me afastar pro futuro.

Por quê?
Acho que a auto reflexidade é boa, mas, ao mesmo tempo, talvez tire um pouco da naturalidade do lado humano da literatura. Queria tentar deixar um pouco de lado tanta reflexão e escrever algo mais pedestre no plano de vida dos personagens.

Essa era justamente uma das perguntas que ia te fazer porque, tanto em Areia nos Dentes (Não Editora, 2008; Editora Rocco, 2010) quanto em A Página Assombrada por Fantasmas, a gente percebe mesmo essa coisa meio metalinguística. Por que esse interesse?
Muitos escritores que eu gosto usam recursos de metalinguagem como Foster Wallace e Enrique Vila-Matas. Então tem muito das minhas leituras e me interesso muito por crítica literária e teoria. Acho a ficção um espaço interessante pra tentar responder questões teóricas.

A gente consegue perceber esse interesse por questões teóricas. Em uma rápida busca na internet a gente encontra uma série de artigos, resenhas, enfim, textos que fazem uma reflexão sobre a literatura. Por outro lado, em uma entrevista você disse que quanto mais você se aproxima da academia mais você percebe que esse mundo não é pra você. É meio contraditório, né (risos). Explica isso para gente.
Eu admiro a discussão intelectual que é feita na academia. Mas talvez não seja pra mim por que tem muita coisa que vejo que está errado no ensino de Humanas. Muitas vezes, os acadêmicos só falam pras paredes. Eu acho que não tem um esforço de tentar levar a discussão profunda pro público em geral. Isso realmente não gosto. Todos os meus esforços de crítica e a revista que edito na Não Editora, que é de crítica literária, é de tentar mediar isso. De tentar fazer uma ponte entre a discussão, digamos, mais profunda da Academia com a linguagem mais acessível do jornalismo.

Leitura de A Página Assombrada por Fantasmas, por Antônio Xerxenesky

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.