Raymond Chandler, um autor noir

Raymond Chandler, um autor noirRedd Angelo / unsplash

Quando se fala em noir, logo vem à cabeça uma ruela escura e personagens sombrios. A palavra pode ser francesa, mas, na literatura, o gênero surgiu nos Estados Unidos, tendo como uma das grandes personalidades o norte-americano Raymond Chandler, que há 53 anos, no dia 26 de março, partia dessa para uma melhor.

Ao longo da sua vida, Chandler tentou ser jornalista, empresário e detetive. Tornou-se escritor em 1933, com 45 anos, quando publicou seu primeiro conto na revista Black Mask. O seu primeiro romance, O sono eterno, lançado em 1939, já tinha como personagem principal Philip Marlowe. O detetive durão esteve presente em oito de suas obras. Além de livros, Chandler escreveu roteiros para o cinema (por exemplo, Double Indemnity, Pacto de Sangue em português, dirigido por Billy Wilder) e muitas de suas obras foram adaptadas para as telonas (como À Beira do Abismo, dirigido por Howard Hawk).

E nasce a literatura noir
O cenário no qual surge a literatura noir, uma vertente do gênero policial, é os Estados Unidos da primeira metade do século XX. Os romances retratam uma América em crise, no momento da Grande Depressão. Detetives como Dupin, de Edgar Allan Poe, perdem o seu lugar nesse contexto de desemprego nas alturas, crescimento da violência e uma situação política pra lá de tensa. As obras noir são mais realistas, não trazem detetives com uma inteligência fora do normal e casos que podem ser resolvidos somente com as células cinzentas, como diria nosso caro Poirot. A força, a experiência e a intuição substituem o raciocínio lógico e a inteligência. Os detetives da literatura noir são muito mais humanos. Pessoas comuns, com problemas e vícios e que preferem a ação ao invés da dedução.

“Numa mesinha em frente a um sofá-cama verde-escuro havia uma garrafa de uísque pela metade, gelo derretido numa tigela, três garrafas vazias de soda, dois copos e um cinzeiro de vidro cheio de pontas de cigarro com e sem marcas de batom. Não havia fotos nem objetos pessoais de espécie alguma. Poderia ser um quarto de hotel alugado para uma reunião ou para uma despedida, para alguns drinques e um bate-papo, um joguinho de dados. Não parecia um lugar onde alguém morasse.” – O longo adeus, Raymond Chandler

Já falamos de literatura policial no Pra Ler aqui, aqui e aqui.

Imagem: Steve Weissman

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.