No meio da travessia

No meio da travessiapraler | Pra Ler

Se você mora em Belo Horizonte, é bem provável que tenha passado recentemente por Fernando Sabino. Do lado dele estava Otto Lara Resende e, a poucos metros, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos. Todos esses ilustres mineiros já se foram, mas, acredite, de alguma forma eles continuam por aí, pela cidade.

A vida agitada da capital mineira pode não dar brecha para enxergá-los, embora apareçam em tamanho considerável. Em 2008, um Projeto de Lei da Prefeitura de Belo Horizonte decidiu batizar 12 viadutos e uma trincheira da Linha Verde com nomes de escritores mineiros. O projeto também destacou citações dos homenageados, que também foram afixadas nos viadutos. A pesquisa e escolha dos autores foi feita por ninguém menos que o saudoso Bartolomeu Campos de Queirós.

Confira abaixo a lista dos escritores eternizados também pelo concreto:

Abgar Renault e Pedro Nava
Os frequentadores do Café Estrela, agora estão na Rua Jacuí



“Viajar mais que tudo é retornar” (Abgar Renault)
 

“Meu trabalho marcharia inseparável da poesia geográfica da minha Minas” (Pedro Nava)

 

Murilo Rubião, Oswaldo França Junior e Roberto Drummond
Eles dão nome a dois viadutos e a uma trincheira na Avenida José Cândido da Silveira

“Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saísse o arco-íris” (Murilo Rubião)

“Depois de percorrer todo o mundo, percebi que era em minha terra que residia a verdade” (França Junior)

“Minas Gerais: há sempre uma procissão passando, um sino tocando nas igrejas e nos corações, e uma conspiração em curso” (Roberto Drummond)

Henriqueta Lisboa e Aníbal Machado
Dá pra ver como os dois estão bem próximos na Avenida Bernardo Vasconcelos

“Todos os caminhos circulam/Em demanda da Liberdade” (Henriqueta Lisboa)

“Quem já dormiu milhares de vezes, outras tantas pôde renascer” (Aníbal Machado)

 

Carlos Drummond de Andrade
Uma voltinha depois da Bernardo Vasconcelos e lá está o itabirano de ferro, sozinho

 

“Só os mineiros sabem. E não dizem a si mesmos. O irrevelável segredo chamado Minas” (Carlos Drummond de Andrade)

 

 

Hélio Pellegrino, Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos
Os “Quatro amigos”, como ficaram conhecidos, resolveram se encontrar no Complexo do Anel Rodoviário para relembrar os velhos tempos.

“Lua lúcida/ Lua das montanhas de Minas” (Paulo Mendes Campos)

“Todo mundo que cruzou comigo, sem precisar parar, está incorporado ao meu destino” (Otto Lara Resende)

“Passado, presente, futuro – / roda refletindo mil sóis” (Hélio Pellegrino)

“Fazer da interrupção um caminho novo” (Fernando Sabino)

João Guimarães Rosa
É dele a travessia que dá acesso ao Centro Administrativo de Minas.

 

“Minas principia de dentro pra fora, do céu para o chão”

 

 

 

 

 

Imagens: PBH

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques