Por que não lemos mais?

Por que não lemos mais?Dylan Luder / unsplash

Na timeline do Twitter não cabe nenhum texto de Jorge Amado. Talvez um ou outro verso de Drummond. No mundo tão cibernético, pouca gente tem paciência para ler mais de 140 caracteres. Afinal, como a internet modifica nossos cérebros? Essa pergunta guia a nova obra do escritor e jornalista Nicholas Carr. Ao contrário do que pode parecer, ele não é um alarmista apegado aos velhos tempos. É bastante conectado, tem site, blog e escreve justamente sobre novas tecnologias.

A Geração Superficial – o que a internet está fazendo com nossos cérebros foi finalista do Prêmio Pulitzer de não-ficção. A ideia defendida no livro é que nossa cabeça se adapta às tecnologias que usamos. O cardápio de informações superficiais e petiscos rápidos, como links e janelas, contribui para que sejamos mais distraídos a cada clique. Isso significa que consumir algumas páginas ficou complicado entre uma parcela crescente da humanidade. Um livro inteiro, então, é para poucos.

Em 2008, Nicholas Carr já havia polemizado no artigo em que lançava a tese de que o Google estaria nos tornando mais estúpidos. O livro, desdobramento desse ensaio, mostra que a parafernália tecnológica pode mudar os circuitos neuronais da sociedade em médio prazo.

Já a pesquisadora da Universidade da Califórnia, Patricia Greenfield, pensa diferente. Para ela, inúmeras telas e botões têm melhorado nossa inteligência visual e espacial. Com as mudanças, teríamos mais competência com estímulos simultâneos, por exemplo. O dilema é que as mesmas características trazem perdas de vocabulário e de imaginação, além das dificuldades para refletir e se concentrar.

Outros contrários ao raciocínio de Carr afirmam que esse frenesi virtual estimula partes importantes da nossa massa cinzenta e, em consequência, nos torna mais espertos. E você, o que acha? Deixe sua opinião sobre o assunto – quem conseguiu ler até aqui, claro.

Dica de A Confraria de Tolos, com informações do Computerworld. Imagem daqui.

Victor Vieira

Não leio bula de remédio. Falar isso seria exagero e estou longe de virar hipocondríaco. Mas é verdade que com as letras arrisquei quase tudo. No jornalismo, aprendi a espremer palavras para sair notícia. A ficção me ensinou a percorrer lugares na distância entre uma prateleira e outra. E escrever garante, a mim e a quem mais embarcar, novos roteiros para essas viagens.

Últimos posts por Victor Vieira (exibir todos)