Bandeira atrás das câmeras

Bandeira atrás das câmerasRedd Angelo / unsplash

Além de grande poeta, um bom ator. Essa foi a constatação do cineasta Joaquim Pedro de Andrade quando dirigiu, em 1959, o documentário O poeta do castelo. O filme sobre Manuel Bandeira apresenta atividades comuns do escritor acompanhadas pela leitura de trechos de poemas, pelo próprio Bandeira.

O diretor, quando teve a ideia do filme, pediu a Manuel Bandeira – seu amigo e padrinho – que escrevesse um esboço de roteiro com aquilo que ele costumava fazer de manhã, num dia comum. Bandeira assim escreveu: “B. está dormindo. De repente se mexe e acorda. Estende a mão, apanha o relógio-pulseira na mesinha ao lado, vê que já são 7 horas – tempo de se levantar. Senta-se na cama, passa a mão na cabeça, fica alguns segundos pensativo. Afinal ergue-se, veste o roupão, caminha para o balcão, escancara a janela”. E terminou: “B. aproxima-se da banca dos jornais, compra o Correio da Manhã e afasta-se pela avenida Presidente Wilson, lendo a folha”.

Em O poeta do Castelo, Manuel Bandeira encena a própria vida. As manhãs em seu apartamento solitário, de pijama, a sua intimidade com as estantes, com os livros e a máquina de escrever. No final, é o telefonema de um amigo que o convida ao passeio. E ele vai-se embora pra Pasárgada.

Com informações de Contra Campo

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques