Leituras e escritas incômodas no 7º Seminário Beagalê

Leituras e escritas incômodas no 7º Seminário BeagalêBrandon Redfern / reprodução

Nos dias 17, 18 e 19 de abril, a Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte vai sediar o 7º Seminário Beagalê. O tema desta edição são as leituras e escritas incômodas. Questões delicadas como morte, violência, sexualidade e racismo podem ser tiradas de circulação na literatura para atender ao que seria “politicamente correto”?

Para debater o assunto, o Beagalê traz mesas de discussões e conferências com escritores e pesquisadores em literatura. A programação acaba de sair do forno.

 

PROGRAMAÇÃO

7/4, terça-feira

16h – Abertura
Thais Pimentel – Presidente da Fundação Municipal de Cultura
Sílvia Esteves – Diretora de Bibliotecas e Centros Culturais

16:30h – Conferência Literatura: modos de usar?
Muito se discute sobre a utilidade da literatura, a inutilidade da poesia… Ela poderia servir à educação? A uma ideologia, a uma causa, a uma injustiça cometida, a um crime? E se não tem utilidade, literatura para quê? Se eu não uso, não estarei sendo usado?

Com Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador. Doutor em Teoria Literária, pesquisa e formação de leitores e o uso da literatura de ficção na escola

18/4, quarta-feira

9h – Mesa 1: Escrever e publicar para crianças e jovens
Quais serão as posturas do mercado e dos escritores diante dos temas incômodos? Haverá resignação diante do politicamente correto que acabou por criar uma “censura tácita” a partir do direcionamento das compras governamentais – que mantêm as editoras e os autores? As crianças e os jovens devem ser protegidos de temas que fazem parte da existência: perdas, tristeza, abandono, violência, racismo e sexualidade?

Com Dolores Prades, especialista em literatura infantil e juvenil, gestora e consultora na área editorial. Doutora pela USP, coordena a Revista Emilia e escreve no site PublishNews.
E Leo Cunha, escritor e professor universitário. Tem diversos trabalhos premiados no Brasil.

14h – Mesa 2: Literatura: modos de ler
Os problemas para a fruição da leitura são inúmeros: estão nas opções estéticas dos escritores, nos critérios das comissões de grandes compras, na sobrevivência comercial das editoras, em possíveis movimentos (inocentes ou não) de censura a certos temas, enfim: como evitar que a arte literária se transforme em um bem de consumo mediano a serviço de?

Com Sérgio Alcides, escritor e professor da Faculdade de Letras da UFMG
E com Maria da Conceição Carvalho, professora e pesquisadora da Escola de Ciência da Informação da UFMG

19/4, quinta-feira

9h – Mesa 3: Leituras incômodas
Se há temas que poucos transitam pela literatura, onde eles estão? E quem são seus leitores? E os leitores “compulsórios”, como alunos, professores e pais? Como leem, quando leem, esses temas que incomodam a literatura?

Com Marçal Aquino, escritor e roteirista de cinema premiado, tem uma obra fortemente marcada pela presença de personagens que vivem às margens da sociedade.
E com José Rezende Jr, escritor e jornalista. Vencedor do Prêmio Jabuti em 2010, ministra oficinas de redação jornalística por todo o país

14h – Mesa 4: Escritas incômodas
Se é verdade que alguns temas poderão um dia sumir das prateleiras de livros, o que pensam os escritores sobre isso? Haverá uma postura de “resistência”, de reafirmação junto a eles? Ou a literatura poderá sobreviver sendo apenas confortável?

Com Elvira Vigna, escritora, ilustradora e jornalista. Premiada como artista plástica, tem também romances para o público adulto, crítica e resenhas literárias.
E com Francisco de Morais Mendes, escritor e jornalista. Editou, nos anos 80, revistas literárias e tem três livros de contos publicados.

O 7º Seminário Beagalê será realizado na Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, que fica na rua Carangola, nº 288, bairro Santo Antônio.

Outras informações pelos telefones (31) 3277-1959/ (31) 3277-8672 ou pelo email beagale@pbh.gov.br

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques