O poema do poeta espanhol

O poema do poeta espanholDylan Luder / unsplash

Um poeta norte-americano acorda um dia e decide mudar de vida – a partir daquele momento, imaginará ser um poeta espanhol. É assim que têm início os versos do poema de Mark Strand, que ganha vida e movimento em vídeo feito pelo artista Juan Delcan.

Divulgado no site Motion Poems – que, como o nome já indica, reúne vídeo-poemas – o trabalho de Delcan mistura filmagens de Strand declamando os versos com animações. “Eu sei que muitos puristas pensam que animar poesias é redundante, faz com que os leitores deixem de imaginar as palavras e que o poema deveria permanecer imperturbado. Em muitos casos isso pode ser verdade. Mas, nos poemas com que trabalhei, eu sinto que há uma troca e complementação entre imagem e poema, transformando a junção em um novo gênero”, argumentou o video-artista Delcan no site Moving Poems.

Assista ao vídeo abaixo e conte para a gente se você concorda:

O poema na íntegra também pode ser lido aqui:

THE POEM OF THE SPANISH POET

In a hotel room somewhere in Iowa an American poet, tired of his poems, tired of being an American poet, leans back in his chair and imagines he is a Spanish poet, an old Spanish poet, nearing the end of his life, who walks to Guadalquivir and watches the ships, gray and ghostly in the twilight, slip downstream. The little waves, approaching the grassy bank where he sits, whisper something he can’t quite hear as they curl and fall. Now what does the Spanish poet do? He reaches into his pocket, pulls out a notebook, and writes:

Black fly, black fly
Why have you come

Is it my shirt
My new white shirt

With buttons of bone
Is it my suit

My dark blue suit
Is it because

I lie here alone
Under a willow

Cold as a stone
Black fly, black fly

How good you are
To come to me now

How good you are
To visit me here

Black fly, black fly
To wish me goodbye

Jessica Soares

As páginas amareladas, a poeira da capa, o lugar escondido no armário em que esperava por ser desbravado – a história sempre teve início antes das palavras. Nunca pisei no solo de outro planeta. Mas, na falta de naves, aviões e ônibus de viagem, embarquei nas páginas dos livros, que nunca falharam em me levar para longe.