O ofício dos escritores

O ofício dos escritoresRedd Angelo / unsplash

Viver tendo a escrita como única renda fixa é para poucos. Ao longo da história, muitos escritores precisaram trabalhar bastante para conseguir o sustento. É muito comum ouvir que eles tinham uma segunda e até mesmo uma terceira profissão além da escrita.

Alguns escritores trabalhavam no próprio mercado editorial, como os os tradutores Paul Auster, Sergio Pitol e César Aira e os editores Ítalo Calvino, Cesare Pavese, T.S. Eliot. Outros tinham profissões bem mais inusitadas, como o suíço Blaise Cendras, que já foi vendedor de jóias na Rússia, carvoeiro em Pequim, apicultor na França, pianista no Chile e caçador de baleias na Noruega.

A italiana Daria Galateria, especialista em literatura francesa, tradutora e colaborada de jornais como Il Manifesto e La Republica, resolveu reunir todos estes casos. Em seu livro Mestieri di scrittori (Ofício dos escritores, em tradução livre), lançado na Itália em 2007, ela conta a história da vida de diversos autores dos séculos XIX e XX que precisaram de outro ofício para sobreviver.

Franz Kafka, por exemplo, foi agente de seguros a vida inteira. Trabalhava na seguradora Generali de oito da manhã às seis da tarde. Alguns anos depois conseguiu um emprego semelhante, mas com menos horas semanais, no Instituto de Seguros de Acidentes Trabalhistas do Reino da Boêmia. Os registros do Instituto atestam que “o doutor Kakfa é um empregado que trabalha muito, dotado de um talento e de uma dedicação excepcionais”.

Alguns escritores passavam seus dias cercados pelos livros. Lewis Carroll era um deles, como contamos aqui . Você pode ler outras histórias curiosas no La Nación.

 

Foto do destaque retirada deste Deviantart.
Caricaturas de T.S. Eliot retirada deste Flickr e Caricatura de Kakfa retirada deste site.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.