26 anos ainda a existir

26 anos ainda a existirRedd Angelo / unsplash

 

No dia 14 de abril de 1986, em Paris, Simone de Beauvoir deu seu último suspiro, mas não seu último grito de reivindicação. Beauvoir afimou em seu romance A Convidada que “se não pudesse dizer absolutamente nada. É como se eu não existisse”. Então, de certa forma, ela continua a existir, já que suas palavras tornaram-se clássicos que nortearam a discussão de grandes temas no século XX e também nos dias de hoje.

Feminismo e Existencialismo são os principais assuntos que interessaram à francesa. A característica que se evidencia ao longo de seus 21 títulos publicados é a capacidade de Beauvoir de transpor discussões filosóficas para os enredos de seus romances. Suas personagens vivem situações cotidianas, que qualquer um de nós podemos passar, e deparam-se com os dilemas abstratos que intrigavam a autora, como a busca por legitimar-se na condição de sujeito livre, por exemplo. Seu livro mais famoso, considerado marco fundador do feminismo moderno, é o ensaio O Segundo Sexo (1949).

Foi Beauvoir quem escreveu: “querer-se livre é também querer livre os outros”. Disse e fez. Vide seu relacionamento aberto, libertino e intensamente honesto com Jean-Paul Sartre. Os dois nunca se afastaram desde a primeira vez que se encontraram, em 1929, embora tivessem a liberdade de estar também com outras pessoas se quisessem.

Abaixo você confere um especial veiculado na Globo News e disponível no youtube sobre Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir.

Vimos no Avec Beauvoir
Imagem: Baptistão para o Estado de S. Paulo em 2008.

Ennio Rodrigues

Adoro as mais improváveis viagens que se pode imaginar a partir de um texto, até as divergentes. Não sou leitor precoce, mas tenho uma ótima arma: curiosidade. D’O Guia do Mochileiro das Galáxias ao Machado. Foi um amigo que disse certa vez e concordo: “nem que passasse a vida inteira a ler, terminaria todos os Clássicos! Em vez disso, prefiro apenas tentar encontrar livros que me tirem do lugar”.