Dia do índio

Escrito por . Postado em Curiosidades

19 de April de 2012

19 de abril é a data escolhida para homenagear os povos indígenas. Seja em clássicos da literatura romântica, como Iracema, em livros modernistas como Macunaíma, ou em lendas e mitos que povoam os livros infanto-juvenis, os índios sempre estiveram presentes nas páginas da literatura brasileira.

O que pouca gente sabe é que, além de serem personagens marcantes, eles também assinam suas próprias obras. Falar em literatura produzida por índios pode ser um pouco complicado: há antropólogos que defendem que a noção de literatura indígena é uma construção da cultura ocidental. Mas o fato é que muitos índios se declaram escritores de literatura índigena e têm produzido muita coisa por aí.

Há, inclusive, um grupo organizado de artistas índigenas. O Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (NEARIN) existe desde 2003 e é um espaço para a discussão de temas relevantes sobre literatura e direitos autorais, além de promover a qualificação de indígenas para o exercício profissional a partir da produção literária.

Confira abaixo alguns escritores indígenas. E se conhecer mais algum, conta pra gente!

Eliane Potiguara: é escritora, professora e ativista indígena, indicada em 2005 ao Prêmio Nobel da Paz pelo Projeto Mil Mulheres do Mundo. No final de 1992, seu espírito de luta foi traduzido em seu livro A Terra é a Mãe do Índio, que foi premiado no PEN CLUB da Inglaterra.

A luz se abriu e a minha pele de foca voltou a se umedecer. Minha pele estava seca pelas vicissitudes da vida. Eu mergulhei nas profundezas dos mares e reencontrei com minha avó-foca, com minhas sagradas ancestrais e os velhos guerreiros que também não se envergonhavam por suas lágrimas”. (Trecho do livro Metade cara, metade máscara).

Daniel Munduruku: é escritor da Amazônia, com 42 livros publicados. Graduado em filosofia, história, psicologia e doutor em educação, já ganhou diversos prêmio literários, como Prêmio Jabuti e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras.

Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância”. (Trecho da crônica A arte milenar de educar dos povos indígenas).


Olivio Jekupe
: tem diversos livros publicados e traduções para o italiano. Aborda a questão de sua origem mestiça, que é a realidade de muitos índios brasileiros.

Karaí, só ouvia, espantado com tudo o que escutava. Sua mãe falava bem dele e dizia tudo ao contrário do que ouviu da professora. (…)Quando a professora terminou, os alunos ficaram fazendo mais perguntas e ela respondia todas. Só o Karaí é que não fez nenhuma pergunta”. (Trecho do livro O Saci verdadeiro).

Graça Graúna: é escritora e poetisa indígena. Além de membro do Grupo de Escritores Indígenas, é professora universitária na área de Literatura e Direitos Humanos da Universidade de Pernambuco.

Yo canto el dolor/desde el exilio / tejendo un collar/de muchas historias / y diferentes etnias / Em cada parto/y canción de partida, /a la Madre-Tierra pido refugio/al Hermano-Sol más energia / y a la Luna-Hermana / pido permiso (poético) / a fin de calentar/tambores/y tecer un collar/de muchas historias / y diferentes etnias”. (Estrofes do poema Canción peregrina, que está no livro Tear da palavra).

Imagens: Divulgação/Internet

2 Comments

There are currently 2 Comments on Dia do índio. Perhaps you would like to add one of your own?

  1. Estimada Gabriela;estive aqui e gostei e agradecer também sua refer\~encia aos meus escritos. Que Ñanderu nosacolha, Graça Grauna

    • Que bom que você gostou, Graça, fico feliz mesmo! O trabalho de vocês é muito bacana! Muito obrigada pela visita!

Leave a Comment