[Última entrevista] Ernesto Sábato

Escrito por . Postado em Entrevistas

25 de April de 2012

Nem dois meses o separavam do centenário. Colecionador de prêmios e homenagens, o escritor receberia mais uma no dia 1º de maio de 2011, durante a Feira do Livro em Buenos Aires. Mas não pôde estar presente. A vida de Ernesto Sábato chegou ao fim no dia anterior.

Seu quase século de existência esteve longe de ser um mar de rosas. Jovem, conheceu o anarquismo e o comunismo.Devido à militância, teve que viver na clandestinidade e depois na Europa, onde mais tarde romperia com o comunismo. Dedicou-se ao estudo da Física, mas, em 1945, apesar do talento, largou os números para mergulhar nas letras.

Escreveu O túnel (1948), Sobre heróis e tumbas (1961) e Abadón e o exterminador (1974), entre outros livros. Acendia fogueiras no quintal de sua casa, onde quis pôr fim a seus primeiros escritos. Por duas vezes, também tentou terminar com a própria vida, mas foram as complicações de uma bronquite que lhe causaram o último e dolorido respiro.  

Morreu já quase totalmente cego – assim como o seu suposto desafeto Jorge Luís Borges – e longe da esposa com quem viveu por mais de 60 anos. No fim da vida, aparecia poucas vezes em público. Seu pessimismo tornou-se célebre. Considerava a sua arte trágica e não escondia o horror que sentia do mundo.  Acreditava que os jovens eram os “herdeiros do abismo”  e que este nosso século terminaria de forma atroz“A única forma de salvá-lo é pensar poeticamente”, disse certa vez. Seguimos atrás dessa luz.

Confira a última visita à casa de Ernesto Sábato, pela jornalista Margarita García, meses antes de sua morte.

Imagens: retiradas daqui e daqui

 

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