Budapeste imaginária

Budapeste imagináriaDylan Luder / unsplash

A caneta se move pelo papel, como se tivesse vida própria, desenhando palavras e imagens que a mente nem poderia imaginar. O processo criativo de um poeta está nas entrelinhas do poema “Budapest”, do novaiorquino Billy Collins. Enquanto olha pela janela e imagina Budapeste ou qualquer outra cidade em que nunca esteve, os versos de seu poema são transportados para o vídeo, em animação do premiado designer Julian Grey, co-fundador da Head Gear Animation.

Assista abaixo:

Um dos escritores do gênero mais lidos nos Estados Unidos, Collins foi nomeado poeta laureado pelo governo norte-americano, sendo responsável por compor poemas para eventos do Estado entre os anos de 2001 e 2003. Entre os anos de 2004 e 2006, foi selecionado como o poeta oficial da cidade de Nova York. Além das honrarias governamentais, recebeu o Literary Lion (“Leão da Literatura”), conferido pela Biblioteca Pública de New York. Abaixo, o poema que ganha vida no vídeo:

BUDAPEST
Billy Collins

My pen moves along the page
like the snout of a strange animal
shaped like a human arm
and dressed in the sleeve of a loose green sweater

I watch it sniffing the paper ceaselessly
intent as any forager that has nothing on its mind
but the grubs and insects
that will allow it to live another day

It wants only to be here tomorrow
dressed, perhaps, in the sleeve of a plaid shirt
nose pressed against the page
writing a few more dutyful lines

while I gaze out the window
and imagine Budapest
or some other city
where I have never been

Jessica Soares

As páginas amareladas, a poeira da capa, o lugar escondido no armário em que esperava por ser desbravado – a história sempre teve início antes das palavras. Nunca pisei no solo de outro planeta. Mas, na falta de naves, aviões e ônibus de viagem, embarquei nas páginas dos livros, que nunca falharam em me levar para longe.