Me dá um @utógrafo?

Me dá um @utógrafo?Dylan Luder / unsplash

Há três anos, o escritor David Sedaris se deparou com uma situação no mínimo inusitada. Quando estava lançando seu livro When You Are Engulfed in Flames, na livraria Strand, em Manhattan, um fã que estava na fila de autógrafos apresentou seu Kindle – aparelho eletrônico de leitura – para que Sedaris fizesse um rabisco. Com cara de falso horror, o escritor virou o aparelho e escreveu na superfície de trás:  “o fim está próximo”.

Se o dono do Kindle precisou levar o seu aparelho para a sessão de autógrafos, hoje nem isso mais é necessário. É possível receber um autógrafo digital sem enfrentar fila. Algumas ferramentas dão conta desse recado. É o caso, por exemplo, da Autography que permite a  inserção de um autógrafo ou outra saudação em um ebook na hora da compra ou depois dela. Por meio de uma parceria com os autores, a Autography faz com que uma página com a assinatura do escritor – inclusive com possibilidade de dedicatória – seja inserida após a capa do livro digital. Também permite que os leitores compartilhem suas páginas autografadas no Twitter e no Facebook.

Kindlegraph funciona de forma semelhante: quem tem um Kindle pode contratar o serviço e solicitar um autógrafo digital de seu escritor. Os autores utilizam a plataforma DocuSign , que funciona como uma caneta digital: eles escrevem sua assinatura na plataforma e ela chega online e personalizada para os leitores, em questão de segundos.

Daqui a algum tempo, é possível que as noites de autógrafos se esvaziem e que a concorrência por um rabisco manual caia. Mas há quem ainda diga que não dispensa o prazer de enfrentar uma fila e que a luta por conseguir o autógrafo  é o que o valoriza ainda mais. Tem também aquele  gostinho, ainda que breve, de ficar cara a cara com seu escritor preferido. Bom, quanto a isso, é possível que já existam noites virtuais de autógrafos… O fim está próximo?

Com informações daquidaqui e daqui.

Imagem: The New York Times

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques