O assassino de Gabo

Tomasso Debenedetti nunca publicou um best-seller, mas anda causando no universo da literatura
O assassino de GaboRedd Angelo / unsplash

Ele aumenta e também inventa. Tomasso Debenedetti nunca publicou um best-seller, mas anda causando no universo da literatura. A última travessura desse italiano foi anunciar no começo desta semana a morte de Gabriel García Márquez. A notícia caiu como uma bomba nas redes sociais depois que o perfil no Twitter de @UmbertoEccoOffic revelou nessa segunda (14) que a irmã do romancista colombiano daria a triste notícia em algumas horas. Era tudo falso: o impostor Debenedetti estava por trás do microblog. Horas mais tarde o perfil de mentira disse que a irmã de Gabo, Aida, havia confirmado o falecimento.

O enganador dá aulas de italiano, é casado e tem dois filhos. O pé no mundo das letras também está na árvore genealógica: é filho e neto de famosos críticos literários (Antonio e Giacomo). Ele se sente orgulhoso por fundar um novo gênero e ser o “campeão italiano da mentira”. E jura que tanta “criatividade” não serve para ganhar dinheiro. Escrever sob a identidade de autores famosos, para Debenedetti, mostra que os meios de comunicação não provam nada e é muito fácil manipulá-los.

A invenção sobre Gabo não é o primeiro golpe de Debenedetti. Outra vítima foi Ignacio Taibo II, escritor mexicano que supostamente teria assinado uma carta sobre a Jornada Mundial da Juventude. No currículo do conhecido trapaceiro, também estão entrevistas fictícias com Phillip Roth, Saramago, Ken Follet e até Paulo Coelho. Além de escritores, ele também se passou por alguns políticos da América Latina. A lista de falsos defuntos também não para de crescer: o papa Bento XVI, Almodóvar e Fidel Castro fazem companhia para o autor de Cem Anos de Solidão. Quem será a próxima vítima?

Vimos no Más Cultura.

Imagem: The Guardian

Victor Vieira

Não leio bula de remédio. Falar isso seria exagero e estou longe de virar hipocondríaco. Mas é verdade que com as letras arrisquei quase tudo. No jornalismo, aprendi a espremer palavras para sair notícia. A ficção me ensinou a percorrer lugares na distância entre uma prateleira e outra. E escrever garante, a mim e a quem mais embarcar, novos roteiros para essas viagens.

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