[Última entrevista] Philip Dick

Julia Marques | Pra Ler

Ele viu a morte de perto ainda muito novo: sua irmã gêmea, Jane, não sobreviveu mais do que algumas semanas. A perda da irmã, com quem nem chegou a conviver, marcou tanto o escritor Philip Dick que lhe serviu como inspiração para muitos de seus personagens.

Autor de ficção científica e criador de mundos futuristas, Dick fez dos devaneios que presenciava um traço de sua narrativa. Na adolescência chegou a ser diagnosticado com esquizofrenia, rótulo que detestava. As crises o acompanhariam por toda vida e seus colapsos nervosos se transformaram em retratos ficcionais. Em 1974, depois de uma visita ao dentista para a extração do siso, viu uma luz dourada que julgou ser a “visão do apocalipse”. Passou o resto da vida tendo alucinações e sonhos proféticos.

Philip Dick previu mundos desconhecidos, robôs e extraterrestres, mas não previu que a morte estava próxima. Em sua última entrevista, cedida a John Boonstra em 1981, Philip estava alegre e ansioso para a estreia de Blade Runner, filme baseado em uma de suas obras. O derrame chegou primeiro e outra vez ele viu a luz.

Com informações daqui, daqui e daqui.
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Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
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