A escrita é tida como um trabalho solitário. Contrariando essa máxima, 23 expressivos autores mineiros se reuniram em torno do Coletivo 21. O objetivo era justamente discutir ideias, produzir trabalhos coletivos, fortaler e dar visibilidade à literatura mineira. Três desses escritores se reuniram na Bienal do Livro de Minas hoje, dia 24, às 19h30, para falar sobre o trabalho do Coletivo: Antonio Barreto, Francisco Morais Mendes e Adriano Macedo – que era convidado e ao mesmo tempo mediador do encontro.
O Coletivo 21 surgiu em 2005 como uma simples ideia. Adriano Macedo, no Salão do Livro, em Belo Horizonte, comentou com alguns escritores, entre eles Alécio Cunha, Luiz Ruffato e Sérgio Fantini, a vontade de produzir uma revista literária que funcionasse como uma vitrine para o trabalho de autores mineiros. Faltou folêgo e dinheiro, mas a ideia continuou. Em 2011, ela tomou forma. Não a forma de uma revista, mas a de um coletivo.
Juntos, os 23 autores tem mais de 300 títulos publicados, inúmeros prêmios e o reconhecimento nacional – e muitas vezes, internacional. Para dar um gostinho dos escritores que compõem o Coletivo, destacamos o trabalho e a trajetória dos três convidados para o Café Literário da Bienal:
“Meu olhar escalou os botões do sobretudo. Qual não foi minha surpresa ao constatar uma jovem de seus vinte e poucos anos, com características nórdicas, cabelos dourados, lábios delgados e olhos azuis – e, o pior, congelados na minha direção.” O jogo do pé sem cabeça, do livro O Retrato da Dama (Autêntica Editora)Jornalista e produtor cultural, Adriano Macedo se emprenhou – oficialmente – pelo mundo da escrita, em 2008, com a publicação do seu primeiro livro “O Retrato da Dama”. Já publicou textos nos sites Tanto, Releituras e Tiro de Letra, na revista eletrônica portuguesa Triplov e no Suplemento Literário de Minas Gerais. Engraçado a escrita fazer parte da sua vida dessa forma, já que no início ela foi uma experiência traumática. “Os” que não se fechavam, palavras que não se formavam. Só anos depois que ela se tornou familiar.
“Língua é o que me calo
Língua é o que me fere
Língua é o que me infere
Língua é o que me enguiça” – Linguaral, Trexpoemas
“Entrei para o Coletivo 21 por que tenho uma utopia: lutar pelo escritor mineiro”, ele disse durante o bate-papo na Bienal. A frase ilustra bem a trajetória de Antônio Barreto que sempre correu atrás de utopias. Foi por elas que editou a revista literária Protótipo na década de 70 e fundou em 1980, junto com intectuais e jornalistas mineiros, Associação Profissional dos Escritores, que depois se tornou o Sindicato dos Escritores de Minas Gerais. O poeta, contista, romancista e cronista já publicou mais de 30 livros.
“Numa velha sacola de feira, ele recolhia o tempo deixado pelos outros. Como fazia isso, não se sabe. Para ele, homem solitário, que vivia entre a casa e o serviço, a palavra “repartição” não designava apenas o local de trabalho. Cabia-lhe, como servidor público, cuidar das horas, repartir o tempo entre os colegas.” – O homem que recolhia o tempo
Um livro a cada sete anos. Foi assim até então com as obras de Francisco Morais Mendes. Nada intencional, só coincidência mesmo. O próximo livro não deve seguir a regra. Em menos de um ano, a obra deve chegar às livrarias. Ele, que é jornalista e escritor, já publicou quatro livros e conquistou sete prêmios literários.
Ainda tem três dias de programação na Bienal do Livro de Minas. O evento termina dia 27, domingo. Acompanhe a cobertura da Bienal do Livro de Minas pelo Pra Ler e fique por dentro de tudo que acontece no evento.
Imagens: Coletivo 21





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