Para difundir a leitura, vale tudo – inclusive montar uma biblioteca itinerante em um jumento. Essa é a proposta do projeto Livros Andantes, que está em viagem pelas comunidades rurais Raiz de Dentro e Estevinhas, na Mata Sul de Pernambuco. À bordo do bichinho, muitos autores pernambucanos e também obras clássicas da literatura brasileira e mundial.
O meio escolhido para transportar os livros pode parecer inusitado, mas tem tudo a ver com a proposta do Livros Andantes. “Quando eu pensei no projeto, pensei em ir em busca desse potencial leitor, que não tem como se deslocar até a biblioteca da cidade. O jumento é um meio de transporte bastante comum na região, eles usam para transportar o que plantam, como banana, inhame, cará. Era uma forma de fazer parte do cotidiano deles”, explicou ao G1 a coordenadora do projeto, Clara Angélica, que também é jornalista e poeta.
Para dar início às atividades da biblioteca andante, é feita a leitura de trechos de livros. Depois é a vez do público escolher mais uma obra para ser lida. Com o apoio de arte-educadores, a atividade seguinte é o emprestimo dos livros, que vêm com a recomendação: no próximo encontro deve-se compartilhar um trecho da obra com os outros. Em geral, são feitos 16 encontros em cada comunidade. Depois deles, cada povoado recebe aproximadamente 200 livros e cordéis. “Pela nossa experiência, depois do 16º encontro, a comunidade já tem certa intimidade com os livros, já vai em busca deles. Afinal, nosso objetivo é realmente esse, deixar os livros, formar novos leitores”, também contou a coordenadora ao G1.
A primeira edição do projeto aconteceu em 2009, no povoado de Prata Grande, município de Amaraji, onde 1.200 livros já foram emprestados. Além dos livros, nessa edição, o Livros Andantes leva também cinema para as comunidades. O projeto criou um cineclube que apresenta curtas-metragens que têm relação com temáticas da comunidade – o primeiro filme exibido foi Terra para Rose, documentário de 1985 que trara da reforma agrária.
“Uma coisa que é muito legal é a receptividade, o encantamento que o livro provoca. Na primeira vez, muitos chegaram a cavalo e ficaram dentro de um abrigo. É todo um processo de conquista. No dia seguinte do primeiro encontro, seis adultos foram lá me procurar para serem alfabetizados”, contou a coordenadora.
Para acompanhar as atividades do projeto, vale curtir a página do Livros Andantes no Facebook.
Com informações do G1. Fotos retiradas do Facebook do projeto.





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