Cartas de Julieta para Drummond

Cartas de Julieta para DrummondRedd Angelo / unsplash

Carlos Drummond de Andrade teve apenas uma filha: Maria Julieta. Como pai, Drummond era só amores com a menina. A única coisa que sempre atrapalhou os dois foi a distância geográfica. Para matar um pouco da saudade, os dois trocaram cartas durante toda a vida. Resgatadas pela atriz Sura Berditchevsky, essas cartas foram inspiração para o monólogo Cartas de Julieta e Carlos Drummond de Andrade, que estreia neste sábado, dia 16.

A distância entre os dois começou a surgir quando Julieta ainda era pequena e passava as férias com a família em Minas, enquanto Drummond trabalhava no Rio de Janeiro. Um pouco mais velha, a menina entrou para o Movimento Bandeirante e as viagens pelo Brasil viraram rotina. A distância entre os dois aumentou ainda mais quando Julieta se casou, em 1949, e foi morar em Buenos Aires. Para matar a saudade entre o pai e a filha, as cartas. Veja abaixo uma delas, escrita quando a menina tinha apenas oito anos.

“Cacá”, aliás, era apenas um dos muitos apelidos carinhosos que Drummond e Julieta se davam. Enquanto a menina chamava o pai de “Cacá”, “papai querido” e “poeta amado”, o escritor correspondia com “Julica”, “filha amada” e “filhareca”.

A próximidade dos dois foi mantida até durante a morte. Julieta faleceu no dia 5 de agosto de 1987 e, apenas 12 dias depois, Drummond teve uma série de problemas cardíacos e também veio a falecer. Os dois foram enterrados no mesmo túmulo.

As relíquias foram guardadas por Pedro Augusto, neto do autor e filho de Julieta, e estudadas por Sura Berditchevsky para a realização da peça. Em entrevista à Folha de São Paulo, a atriz comenta que “as cartas trocadas na época em que Julieta era criança demonstram uma relação de afeto, de respeito desse pai com essa filha e mostram a maneira como ele vai dando possibilidades para ela ir para o mundo, para virar gente”.

A peça estará em cartaz entre os dias 16 de junho e 29 de julho no Teatro Eva Herz, em São Paulo, sempre aos sábados (17h) e domingos (15h). O monólogo também será apresentado na Feira Literária de Paraty (Flip), que esse ano irá homenagear Carlos Drummond de Andrade.

Vimos no Livros e Pessoas, com informações da Folha.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.