[Em off] George Orwell na música

[Em off] George Orwell na músicaMaciej Korsan / reprodução

No livro 1984, Oceania, Lestásia e Eurásia se encontravam em guerra. Um embate permanente, existente desde que se tem registro – e o qual não se pode questionar. O conflito é apenas o pano de fundo do romance de George Orwell, centrado na oligárquica sociedade oceânica dirigida pelo Grande Irmão (o Big Brother), capaz de reprimir qualquer ato de subversão. A opressão era incontornável, e a oposição uma sentença de morte. Mas a resistência, mesmo que quieta, se fazia presente. A forte obra do norte-americano publicada em 1949 apareceu no último programa de rádio do Pra Ler, mas em forma de música.

A banda inglesa Muse se inspirou em 1984 para compor as faixas do álbum lançado em 2009, intitulado The resistance. “Estar na Inglaterra ou ver o que está acontecendo no país tornou a inspiração muito mais definida e direta, e a trouxe para a realidade. Eu acho que a primeira canção, Uprising, descreve bem como várias pessoas se sentem, que precisamos mudar”, disse então o vocalista do grupo e compositor Matt Bellamy à BBC.

Eles não irão nos forçar
Eles irão parar de nos humilhar
Eles não irão nos controlar
Nós seremos vitoriosos
(Então venha)
Assim são entoados os versos de Uprising. O questionamento de um presente e um passado controlado por uma ditadura aparece também em Exogenesis: Symphony, Pt. 1: Overture:Quem somos nós?
Onde nós estamos?
Quando nós estamos?
Por que nós estamos?
Quem somos nós?
Onde nós estamos?
Por quê? Por quê? Por quê?

Ao lado das palavras de resistência, aparece também a narrativa de um amor que resiste à opressão, tal qual na obra de Orwell. Será que nosso segredo está seguro esta noite? Nós estamos fora de vista? Ou será que nosso mundo está desmoronando? Será que descobriram nosso esconderijo? Será esse nosso último abraço? Ou será que as paredes começam a desmoronar?, cantam os britânicos em Resistence, que você ouve abaixo:

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Jessica Soares

As páginas amareladas, a poeira da capa, o lugar escondido no armário em que esperava por ser desbravado – a história sempre teve início antes das palavras. Nunca pisei no solo de outro planeta. Mas, na falta de naves, aviões e ônibus de viagem, embarquei nas páginas dos livros, que nunca falharam em me levar para longe.