Apelidos de escritores brasileiros

Apelidos de escritores brasileirosDylan Luder / unsplash

Judas do Brasil escreveu sermões que são lidos até hoje. Chulé de Apolo se dedicou ao jornalismo, à poesia e à prosa e tem cadeira marcada na Academia Brasileira de Letras. Urso Polar também foi um desses grandes que transformaram as palavras em poesias conhecidas no Brasil inteiro. Sapo-boi era um poeta que queria ser como ourives.

Se você não sabe de quem estamos falando, é porque talvez não tenha tanta intimidade para reconhecer os apelidos que os escritores ganharam. Algumas alcunhas têm tudo a ver com a produção dos autores. Outras são aquelas brincadeiras feitas em casa ou entre amigos e que acabam pegando. Urso Polar, por exemplo, era o apelido que Carlos Drummond deu a si próprio em referência à sua vontade de se isolar do mundo das celebridades e se recusar a dar entrevistas. Já na reunião de sapos que saem na penumbra defendendo a forma poética, Sapo-boi foi uma referência que Manuel Bandeira fez à Olavo Bilac.  Bandeira mesmo não se dizia sapo, mas era Poeta menor. Perdoai.

Longe de ser apenas brincadeira, os apelidos dos escritores foram estudados a fundo pelo pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Cezar Henriques. Como tese de pós-doutoramento, ele lançou o Dicionário de Epítetos de Escritores da Literatura Brasileira, que agora está disponível para venda pela Editora Prismas.

Depois de muita pesquisa, Claudio Cezar catalogou as “graças e desgraças dos apelidos de escritores brasileiros” e mostrou que, como com qualquer pessoa, um escritor pode ter os seus apelidos gloriosos e também aqueles que dá vontade de não contar pra ninguém.

Leia aqui um pouco sobre a pesquisa de Claudio Cezar e saiba de quem são os apelidos Chulé de Apolo, Judas do Brasil e alguns outros.

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques