Briga em família

Briga em famíliaDylan Luder / unsplash

Desavenças familiares estão muito presentes na obra de Nelson Rodrigues, que já chegou a escrever que “a família é o inferno de todos nós”. Se a vida imitou a arte ou a arte imitou a vida, é difícil dizer, mas o fato é que a família do dramaturgo, escritor e jornalista brasileiro já briga há mais de 30 anos pelo espólio deixado. No inventário do escritor tem apartamento na zona sul do Rio de Janeiro e aplicações bancárias, mas a briga maior é em relação aos direitos autorais e de publicação das obras rodrigueanas, que juntos renderam R$ 580 mil, em 2011.

A família não é pequena. Nelson Rodrigues deixou seis filhos e três ex-mulheres. Antes de morrer, em 1980, o escritor tinha reconhecido apenas três dos filhos: Jeff – que faleceu em 2010 – e Nelson, do relacionamento com Elza, e Daniela, filha de Lúcia Cruz Lima. Só em 1996 que Sônia, Maria Lúcia e Paulo César, filhos de Yolanda dos Santos, foram reconhecidos em exame de DNA, após longa briga judicial.

A discussão toda é porque a divisão de bens é desigual. Elza, que se casou em comunhão total de bens, tem 50% do patrimônio e da renda das obras. Daniela leva a outra metade por causa do testamento deixado por Nelson. Uma das coisas que a justiça precisa decidir é se Elza realmente é dona dos 50% dos direitos autorais, como afirma ser. O problema é que se esses 50% forem considerados dela, quando morrer, passará para seus filhos e sobrará muito pouco para os outros herdeiros.

A história dessa desavença familiar, digna de obras rodrigueanas, está longe de acabar e já rendeu mais de cinco mil páginas de processo. Enquanto as páginas eram preenchidas, Elza já chegou a perder o direito aos 50%, Nelson e Joffre já tentaram diminuir a parte que cabe à Daniela, mas a divisão continua a mesma desde que Maria Lúcia, Sônia e Paulo César foram reconhecidos filhos de Nelson, em 1996.

Vimos na Folha de São Paulo
Imagem:Divulgação/Internet