[Flip] 100 anos de Jorge Amado

[Flip] 100 anos de Jorge AmadoBrandon Redfern / reprodução

“Um dos maiores romancistas do mundo, do século em que viveu” – assim João Ubaldo Ribeiro definiu Jorge Amado, seu grande amigo. Ubaldo e Walcyr Carrasco integraram a mesa Cem Anos de Jorge Amado, parte da programação da Casa da Cultura na Flip, nesta quinta-feira, às 11h30. Numa conversa boa, com muitos casos e histórias, os dois convidados e o mediador, Edney Silvestre, desenharam um Jorge Amado menos escritor e mais humano. Afinal, esse é um dos papéis de um evento literário: possibilitar o encontro entre autor e leitor. Mesmo que o autor já não esteja mais por aqui.

João Ubaldo Ribeiro, além de amigo próximo de Jorge Amado, é um grande adimirador de sua obra. Na opinião dele, o escritor baiano é responsável pelo o que chama de “descoberta do Brasil”. Amado retratou o país de forma íntima e trouxe para a sua obra brasileiros que antes não tinham espaço significativo na literatura.

Walcyr Carrasco, por sua vez, partiu da obra Gabriela, inserindo personagens de outros livros de Amado, para criar a minissérie de mesmo nome que está no ar na TV Globo. “Eu traio a obra na medida em que não sou fiel à narrativa ponto a ponto, mas sou fiel ao universo de Jorge Amado”, explica Carrasco sobre as mudanças em relação à novela e ao livro que a inspirou.

Gabriela é um divisor de águas na obra do escritor. Pouco antes de escrever a história da mulher livre e sensual, Jorge Amado tinha saído do Partido Comunista e deixava de lado a veia mais ideológica que marcou suas obras até então. Ele escreveu Gabriela ainda no Rio de Janeiro, mas já estava com a cabeça na Bahia de novo, na sua terra e na sua gente, para onde voltaria pouco depois do livro concluído. A saída do Partido Comunista foi acompanhada de uma constatação muito importante que Jorge Amado compartilhou com Ubaldo Ribeiro: “tem filho da puta de direita e filho da puta de esquerda”.

Apesar da genialidade de Jorge Amado, ele é um autor pouco lido. Uma pena, pois, além da qualidade literária, suas obras são extramente atuais. “As relações de poder nos livros de Amado estão presentes, de alguma forma, ainda nos dias de hoje”, diz Walcyr Carrasco.

Flip

A Festa Literária Internacional de Paraty vai até o dia 8, domingo. Além da programação principal, várias atividades de parceiros como a Casa da Cultura e Casa do IMS (Instituto Moreira Sales) compõem de forma paralela o evento. As mesas principais estão sendo transmitidas em tempo real. Fique de olho no site do Pra Ler e na programação diária da Rádio para saber mais sobre o evento.

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.