Batman se despede dos cinemas com livros

Batman se despede dos cinemas com livrosRedd Angelo / unsplash

Os brasileiros já estão ansiosos para assistir à última parte da trilogia do Homem Morcego, dirigida por Christopher Nolan. Enquanto esperam mais dois longos dias, os fãs acompanham as notícias direto dos Estados Unidos, onde o filme estreou na última semana como a terceira maior bilheteria do final de semana de estreia e a maior sem o uso do 3D. Uma dessas notícias é o lançamento de dois livros sobre a trilogia.

O primeiro deles, The Art and Making of The Dark Knight Trilogy, foi escrito por Jody Duncan Jesser (responsável pelo livro sobre o making of de Avatar) e Janine Pourroy (autora do making of do seriado Plantão Médico) que conta como foi o processo de produção dos três filmes. O livro traz uma pequena introdução escrita pelo próprio Nolan, que fala da construção da trilogia. Veja um trecho abaixo, divulgado pelo Omelete:

“Alfred. Gordon. Lucius. Bruce…Wayne. Nomes que vieram a significar tanto para mim. Hoje, faltam três semanas para que eu dê o adeus final a esses personagens e ao seu mundo. É o aniversário de nove anos do meu filho. Ele nasceu quando o Tumbler estava sendo montado na minha garagem a partir de diferentes partes de kits aleatórios. Muito tempo, muitas mudanças. Uma troca de cenários onde uma arma falsa e um helicóptero eram eventos extraordinários para dias de trabalho em que uma multidão de extras, demolições ou caos aéreo se tornaram familiares.

As pessoas me perguntam se eu sempre planejei uma trilogia. Isso é como perguntar se você planeja crescer, se casar, ter filhos. A resposta é complicada. Quando David e eu começamos a pensar na história de Bruce, flertamos com o que poderia vir depois e nos afastamos, sem querer olhar muito para o futuro. Eu não queria saber tudo o que Bruce não sabia. Eu queria viver com ele. Eu disse a David e Jonah para colocarem tudo o que sabiam em cada filme que fizemos. Todo o elenco e a equipe colocaram tudo o que tinham no primeiro filme. Nada foi contido. Nada foi guardado para a próxima vez. Eles construíram uma cidade inteira. Então Christian, Michael, Gary, Morgan, Liam e Cillian começaram a viver nela. Christian pegou um pedaço da vida de Bruce Wayne e a tornou completamente convincente. Ele nos levou a mente de um ícone pop e nunca nos deixou notar a natureza fantástica dos métodos de Bruce.

Nunca pensei que faríamos um segundo – quantas sequências boas existem? Por que rolar esses dados? Mas uma vez que sabia onde eu levaria Bruce, e quando comecei a ter ideias sobre o seu antagonista, se tornou essencial. Nós reunimos o time e retornamos para Gotham. A cidade mudou em três anos. Maior. Mais real. Mais moderna. E uma nova força de caos estava surgindo. O palhaço assustador definitivo, aterrorizantemente trazido à vida por Heath. Não guardamos nada, mas existiam coisas que não tínhamos como fazer no primeiro filme – um uniforme que fosse flexível no pescoço, filmar em Imax. E coisas que tínhamos medo de fazer – destruir o batmóvel, queimar o dinheiro do vilão para mostrar um completo descompromisso pelas motivações convencionais. Nós usamos a suposta segurança de uma sequência como uma licença para jogar a cautela de lado e seguir para as esquinas mais sombrias de Gotham.

Nunca pensei que faríamos um terceiro – existe alguma segunda sequência boa? Mas continuei pensando sobre o fim da jornada de Bruce e, uma vez que David e eu o descobrimos, eu precisava ver por mim mesmo. Nós voltamos para o que nós mal tínhamos coragem de sussurrar naquele começo na minha garagem. Nós estivemos planejando uma trilogia. Eu chamei a todos para mais um tour por Gotham. Quatro anos depois, ainda estava lá. Até parecia um pouco mais limpa, um pouco mais polida. A mansão Wayne fora reconstruída. Rostos familiares retornaram – um pouco mais velhos, um pouco mais sábios…Mas nem tudo era o que parecia.

Gotham estava apodrecendo nas suas fundações. Um novo mal borbulhando por baixo. Bruce pensou que Batman não era mais necessário, mas Bruce estava errado, assim como eu. Batman precisava voltar. Suponho que ele sempre precisará.

Michael, Morgan, Gary, Cillian, Liam, Heath, Christian…Bale. Nomes que vieram a significar tanto para mim. Meu tempo em Gotham, procurando por uma das figuras mais duradouras da cultura pop, tem sido uma das mais desafiadoras e recompensadoras experiências que um cineasta pode esperar ter. Eu vou sentir falta de Batman. Gosto de pensar que ele sentiria minha falta, mas ele nunca foi particularmente sentimental.”

O segundo livro é The Dark Knight Manual: Tools, Weapons, Vehicles and Documents from the Batcave, do ator e escritor norte americano Brandon T. Snider. A obra faz um apanhado dos elementos que cercam os três filmes do Batman, desde os veículos usados ao longo dos anos até os detalhes sobre o arsenal de armas do Homem Morcego. Dentre as várias informações do livro, um mapa completo da Gothan City retratada nas telonas.

Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge se passa oito anos após os acontecimentos de O Cavaleiro das Trevas. Batman está desaparecido, transformado de herói a um simples fugitivo, e sentindo a culpa pela morte de Harvey Dent. Porém a cidade de Gothan City vive dias de tranquilidade sem o seu herói, graças ao Ato Anti-Criminal Dent. O único capaz de desafiar a lei é Bane, que obriga Bruce Wayne a sair de seu exílio e acaba com toda a tranquilidade vigente. Fica a dúvida: Batman será páreo ou não para o novo vilão? O filme estreia na próxima sexta-feira, 27. Assista ao trailer abaixo:

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.