Resultado do Concurso Todoprosa de Microcontos

Resultado do Concurso Todoprosa de MicrocontosRedd Angelo / unsplash

Chegou ao fim o II Concurso Todoprosa de Microcontos para Twitter. Das pouco mais de 600 inscrições, foram selecionadas 53 finalistas. Após uma análise mais refinada, os 24 melhores microcontos foram destacados para, então, ser escolhido o top 3.

O único jurado do concurso foi Sérgio Rodrigues, autor do blog Todoprosa e criador da competição. Segundo ele, a seleção deste ano foi mais difícil que a do ano passado. “O medo de cometer alguma injustiça grave pairando o tempo todo sobre a cabeça do microjúri”, escreveu em seu blog.

Veja abaixo os três vencedores e os comentários de Sério Rodrigues sobre eles.

3º Colocado
A escrita cuneiforme teve início com as garras das bestas-feras nas peles trogloditas. Cada confronto deixava gravado: “aperfeiçoe-se”. – Alexandro de Camargo

O terceiro colocado, Alexandro de Camargo, é o autor da história de maior fôlego histórico, um insight de fazer inveja a papas da psicologia evolutiva como Steven Pinker

2º Colocado
Conto 150. Mas assim o conto não vale, diz: valor é isso menos 10. Peço o troco. Ele devolve 20. E assim é que se faz um desconto. – Leandro Henrique

Leandro Henrique assina o microconto que fez melhor uso dela [a metalinguagem], jogando ainda humor e um trocadilho inteligente na mistura. Quem se der ao trabalho de contar o número de toques do conto descobrirá que a conta fecha rigorosamente.

1º Colocado
Ao pular na garganta do penhasco, ele sonhou. – Mara Augusta Soares

Após incontáveis releituras, o primeiro lugar vai para Mara Augusta Soares pelo prodígio de, pronunciando apenas oito palavras cuidadosamente pesadas, desenhar um não-dito de dimensões vertiginosas entre a violência realista – tom eleito pela maioria dos concorrentes – e o lirismo, o mundo lá fora e o mundo aqui dentro, borrando irremediavelmente suas fronteiras

Veja no blog Todoprosa outros microcontos que mereceram uma menção honrosa.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.