Juro que vi! – Curupira

Juro que vi! - CurupiraRedd Angelo / unsplash

Essa história aconteceu numa noite de lua cheia. Uns diz que é superstição, coisa da roça, mas otros diz que não, que isso aconteceu. Quem teve lá me contou essa história assim. E disse: ‘Juro que vi!’

É assim, como se estivéssemos ouvindo uma história à beira da fogueira, que começa o primeiro vídeo da série Juro que vi. Ao todo são cinco curtas de animação, produzidos entre 2003 e 2009, que contam a história de personagens icônicos do folclore brasileiro. Como dia 22 de agosto foi o dia do Folclore Nacional, resgatamos esses vídeos e vamos contar um pouco da lenda por trás de cada um dos personagens retratados.

Os curtas foram produzidos pela MultRio, empresa de multimeios do Rio de Janeiro ligada à Secretaria Municipal de Educação, entre 2003 e 2009. Além de retratar as lendas nacionais, os vídeos também mostram uma preocupação com toda a parte ambiental, de preservação da fauna e flora, além de questões relativas a cidadania.

Curupira
A lenda do Curupira começou antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil. O primeiro relato apareceu em uma carta de 1560, escrita por Padre Anchieta: “Aqui há certos demônios, a que os índios chamam Curupira, que os atacam muitas vezes no mato, dando-lhes açoites e ferindo-os bastante”. O Curupira, na verdade, não é mal. Dizem as lendas que ele tem uma personalidade tranquila, que gosta de ficar na sombra das árvores, sossegado, saboreando frutos. Isso até alguém ameaçar a floresta.

Na essência, o Curupira é o protetor das matas, que faz de tudo para cumprir sua tarefa. Sua descrição física não é muito precisa. Algumas lendas dizem que ele tem a estatura de uma criança, possui cabelos vermelho, pelos verdes pelo corpo e dentes também verdes. Outras apontam orelhas pontudas ou que ele sempre anda montado em porcos selvagens. O que não muda são seus pés, sempre virados para trás. Essa é sua principal arma para enganar caçadores. As pegadas invertidas confundem quem o persegue e tendem a deixar a pessoa perdida.

Contra aqueles que estão na floresta para cometer maldades contra a natureza, o Curupira costuma ser implacável. Se não mata, deixa a pessoa tão atordoada que ela nunca mais é a mesma  Mas para enganá-lo não é tão complicado. Os índios costumavam dar presentinhos para entreter o espírito da mata. Algumas lendas contam que basta pegar um cipó e fazer uma bola cheia de nós. O Curupira fica tão entretido tentando tirar os nós que o caçador pode ir embora em paz.

Dizem também que o Curupira costuma raptar criancinhas, mas não é por um motivo ruim. Como ele não suporta o coração degradado dos adultos, ele sequestra as crianças na esperança de que elas cresçam longe dessas más influências. Incapaz de fazer mal a qualquer uma delas, o Curupira apenas enfeitiça e cria essas crianças em seu reino da mata. Após sete anos de convívio, elas costumam voltar para casa, completamente mudadas pela experiência. Algumas simplesmente não voltam, pois gostaram tanto da vida na mata que são incapazes de conviver na civilização novamente.

Assista abaixo ao curta que conta a história de um caçador e de seu assistente, que se aventuram pela Floresta Amazônica e acabam vítimas do Curupira.

Ficha Técnica
Ano: 2003
Produção: Patricia Alves Dias
Direção de Arte: André Leão
Animação: Eduardo Duval, Frata Soares, Humberto Avelar, Sid Ahearne, Wagner de Freitas, Walter dos Santos Jr.
Empresa(s) produtora(s): MultiRio – Empresa Municipal de Multimeios
Produção Executiva: Regina Assis
Música: Naná Vasconcelos, Paulo Brandão, Paulo Muylaert
Coordenação do projeto: Patricia Alves Dias

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.