Juro que vi! – Iara

Juro que vi! - IaraRedd Angelo / unsplash

encontramos o Curupira, fomos para a região Norte conhecer o Boto e, aproveitando a viagem, hoje vamos ver outra encantadora habitante dos rios amazônicos: a Iara. O curta da série Juro que vi! acompanha a história de Pedro Rico, um garimpeiro que foge dos maus tratos do patrão e descobre o reduto secreto da Mãe d´Água. Antes de assistir, vamos saber um pouco mais sobre ela.

Iara
Diz a lenda que Iara foi uma linda índia que se destacava por suas habilidades como guerreira. O pai, pajé da aldeia, era só elogios para a moça, o que gerava muita inveja em seus irmãos. Decididos a se livrar dela, os rapazes planejaram o assassinato. Durante a noite, Iara descansava em sua oca quando ouviu os irmãos entrando. Como boa guerreira que era, se defendeu bravamente dos ataques. Todos os irmãos acabaram mortos e Iara, percebendo o tamanho do problema que causara, fugiu para a mata. Quando o pai descobriu o ocorrido, começou uma perseguição implacável até encontrá-la. Como castigo, a moça foi jogada no encontro do Rio Solimões com o Rio Amazonas. Ela só escapou da morte porque foi salva pelos seres aquáticos, que a transformaram em uma bela sereia.

Desde então ela habita os rios da Floresta Amazônica. Conhecida também como Mãe d’Água, ela tem metade do corpo no formato de peixe e a outra metade como uma linda e sedutora mulher. Sua principal arma é o canto, com o qual seduz os homens e os atrai para o fundo dos rios. O fim é o mais perverso possível: matá-los. A grande maioria simplesmente não volta, afogada. Os poucos que conseguem sobreviver terminam loucos em função do encanto. A única forma de recuperá-los é através de rituais realizados pelo pajé ou por benzedeiras.

Porém a história da sereia não é brasileira. Especula-se que tenham sido os portugueses, durante o período da colonização, que adaptaram a lenda indígena a partir do mito europeu das sereias. Elas são seres mitológico muito antigos e sua aparição mais famosa é durante a Odisseia, de Homero. Através do canto, elas tentam seduzir Odisseu, que se amarrou ao mastro do navio e escapou ileso do encontro.

As lendas também apresentam diferenças entre as formas das sereias. As que interceptaram o navio de Odisseu, por exemplo, eram metade pássaro, com penas negras, e metade humanas. Antes de serem transformadas, elas eram mulheres que desagradaram a deusa Afrodite e foram exiladas para uma ilha distante, condenadas a passar o resto da vida por lá.

Na mitologia nórdicas é que as sereia assumem a forma que conhecemos hoje em dia: metade peixe e metade mulher. Os sereianos irlandeses (chamados Merrows) apresentam uma distinção importante quanto ao sexo. Enquanto as mulheres são estonteantemente lindas, os homens são muito feios. Por isso os casos de encantamento de marinhos são muito mais constantes do que o de marinheiras.

Merrow

Os registros mostram que, por muito tempo, acreditou-se realmente que as sereias eram seres reais e não lendas. Em 4 de janeiro de 1493, Cristóvão Colombo registrou em seu diário de viagem que havia visto formas femininas encantadoras no mar. Em 1147, uma expedição marítima levava cristãos do norte da Europa à Terra Santa e, segundo uma carta conservada na Biblioteca do Colégio de Cristo da Universidade de Cambridge, o cruzado Osbone afirma ter ouvido os alaridos de sereias. Em 1403, uma sereia teria passado por uma brecha de um dique nos Países Baixos, e ficado atolada no barro do canal. Outra aparição se deu em 1658, quando várias sereias foram vistas na costa da Escócia, perto do Rio Dee.

Se elas existem ou não, ninguém pode afirmar com certeza. Mas quando você passear perto do Rio Amazonas é bom proteger seus ouvidos e tomar cuidado com a Iara. Assista abaixo ao curta da série Juro que vi!:

Ficha técnica
Ano: 2004
Produção: Patricia Alves Dias
Direção de Arte: Sergio Glenes
Animação: Paolo Conti
Empresa(s) produtora(s): MultiRio
Edição de som: Paulo Brandão
Produção Executiva: Regina de Assis
Montagem: Paolo Conti
Música: Paulo Brandão, Paulo Muylaert
Coordenação do projeto: Patricia Alves Dias

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.