Nelson Rodrigues é capa do Meia Hora

Nelson Rodrigues é capa do Meia HoraRedd Angelo / unsplash

Ainda no clima do centenário de Nelson Rodrigues, – que teria soprado velinhas na última quinta-feira, dia 23, se estivesse vivo – fica aqui uma pergunta importante: como histórias do Anjo Pornográfico, que morreu em 1980, seriam retradas nos dias de hoje?

O jornal Meia Hora, com certeza, seria um dos veículos ideais. Para mostrar que Nelson Rodrigues e o tablóide carioca têm tudo a ver, o Meia Hora homenageou o escritor e dramaturgo com uma capa só pra ele.

Cada uma das chamadas fazem referência a uma das histórias do pernabucano:

“Novinha é currada por cinco e curte”
A manchete fala da trama da peça Bonitinha, mas ordinária, de 1962. Edgar recebe uma proposta difícil de recusar: um gordo cheque em troca do casamento com Maria Cecília, filha do milionário Doutor Werneck, seu patrão. Ele descobre que a moça tinha sido estuprada por cinco homens negros. E mais, tinha armado a situação para satisfazer uma fantasia sexual. Do outro lado está Ritinha, por quem está apaixonado. Não bastasse tantas surpresas, Edgar ainda descobre que Ritinha não é professora, como ela afirma, e sim prostituta.

“Chifronésio descobre que a mulher pegava geral no busão”
A Dama da Lotação, uma das crônicas da série A Vida Como Ela Éescrita na década de 50, traz a história de Solange, uma mulher apaixonada pelo marido, mas que não consegue consumar o casamento. Em compensação, o trai com os passageiros dos ônibus cariocas. A trama foi levada para o cinema em 1978, com roteiro do próprio Nelson e direção de Neville D’Almeida. Sônia Braga deu vida à dama da lotação.

“Cortou fora o próprio bilau depois de papar a irmã”
Em Asfalto Selvagem, de 1959, Engraçadinha é a bonita noiva de Zózimo. A moça, porém, é apaixonada por Sílvio, que também cai de amores por ela. Seu pai, Arnaldo, entretanto, revela que os dois são irmãos. Desesperado, Sílvio corta o pênis na frente da família e morre.

“Marmanjo é visto beijando outro na boca e vira motivo de chacota no Rio”
Em 1960, estreava no Rio de Janeiro a peça O Beijo no Asfalto. Na trama, Arandir presencia um atropelamento de um rapaz. Tocado pela situação, na qual a vítima fica entre a vida e a morte, Arandir dá um beijo no rapaz num gesto de amor ao próximo. Amado Ribeiro, repórter sensacionalista, vê a cena e arma, junto com o delegado Cunha, uma série de mentiras, acusando Arandir de ser homossexual e ter matado o rapaz por ciúmes.

“Sobrenatural de Almeida assombra o brasileirão”
Esta manchete é uma homenagem ao lado cronista esportivo de Nelson Rodrigues. Tricolor fanático, ia sempre ao Maracanã, mesmo quando estava quase cego. Escreveu texto sobre o futebol brasileiro que são referência até hoje. Alguns termos criados por ele pegaram e continuam a ser usados, como “complexo de vita-latas”, sobre a dificuldade do Brasil de se impor nos gramados antes da Copa de 1958, e o “Sobrenatural de Almeida”, personagem que vinha do além para prejudicar o Fluminense.

Vimos no O Dia

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.