[Série] Concursos literários – Gêneros Diversos

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Veja também: Parte 1 e Parte 3

Basta um pequeno passeio pelos editais dos concursos literários para saber que eles não são, nem de longe, iguais. As diferenças vão desde a nascente – quem patrocina – até a foz – a forma de entrega da premiação. Nesse percurso, existem ainda muitos meandros.

De acordo com Rodrigo Domit, editor do blog Concursos Literários, as maiores fontes patrocinadoras de concursos no país são estatais, como prefeituras, secretarias de cultura, fundações culturais e bibliotecas públicas; ou paraestatais, como o Serviço Social do Comércio (Sesc). Em seguida, no ranking dos que mais promovem esse tipo de atividade, estão as instituições literárias ou relacionadas à literatura, como as academias de letras, editoras, livrarias e revistas.

As regras para a participação também variam muito. Concursos como o Jabuti – o mais importante prêmio literário do Brasil, lançado em 1959 – não premiam autores inéditos, mas sim obras já publicadas. Outros, ao contrário, exigem que o texto ainda não tenha circulado no meio literário, o que significa que a obra não pode ter sido impressa ou até mesmo disponibilizada para leitura em blogs ou sites.

Troféu do Prêmio Jabuti, por Danilo Máximo

Para alguns editais, é possível tirar da gaveta um poema ou um conto antigo e participar. Outros exigem um esforço maior: é preciso ter não só uma, mas sim um livro inteiro de poesias antes de se inscrever. Para os que têm bom poder de síntese, já existem concursos próprios para os microblogs, como o que a Academia Brasileira de Letras lançou em 2010. A exigência era fazer um microconto com apenas 140 caracteres, um tweet.

Os gêneros literários premiados também variam inclusive em um mesmo concurso. É o caso, por exemplo, do Prêmio Literário Livraria Asabeça, organizado pela Editora Scortecci. “A cada ano, o Prêmio é organizado e planejado de uma forma diferente. Esse ano ele está contemplando livro de poesia e livro de contos. Ano que vem vai ser uma novela e um romance”, anuncia o editor responsável pelo certame, João Scortecci. O prêmio da Asabeça é a publicação do livro. Outros concursos dão quantias em dinheiro e existem aqueles que garantem, ao contrário, bons gastos.

Prêmio que não é prêmio
“Verdadeiros estelionatários, que cobram pela inscrição, pela publicação e, em alguns casos, não chegam nem a entregar a obra”. Assim o editor do blog Concursos Literários caracteriza os prêmios conhecidos pelos escritores como caça-níqueis. Para evitar que autores iniciantes caiam nesse tipo de armadilha, o blog não divulga concursos que cobrem taxa de inscrição.

O escritor Rafael Clodomiro foi vencedor do prêmio UFF de Literatura, da Universidade Federal Fluminense, em 2009, na categoria Poesia. Na comunidade do Clube dos Autores, ele organizou um fórum só para debater os concursos literários com outros escritores. Rafael aconselha que os autores iniciantes tenham atenção especial aos concursos que cobram taxas. “É nestes que estão os maiores problemas. Logicamente, quando você paga alguma coisa, você espera um retorno muito bom, principalmente na premiação, avaliação e divulgação. E, se um desses quesitos não acontece, os autores se sentem frustrados”, explica.

Mas a taxa de inscrição pode não ser um indicativo absoluto da má qualidade. Concursos considerados sérios, como o Jabuti, fazem esse tipo de cobrança e estão longe de serem estelionatários. Para o escritor Alexandre Lobão, que dá dicas a autores em seu site, é preciso, mais do que verificar se há taxas, olhar para o histórico da entidade que promove o concurso e avaliar os editais. Se a promessa é publicar uma coletânea custeada pelos próprios autores, pode não valer muito a pena. Alexandre destaca, entretanto, que mesmo os concursos considerados caça-níqueis podem não ser uma roubada tão grande quanto parecem. “Às vezes o cara é um autor inédito, quer publicar o trabalho dele. Ele entra lá, gasta de repente 30 reais para fazer uma inscrição. Se ele for selecionado vai ser um trabalho dele, por mais que seja uma coisa que digamos não é muito séria, reconhecida”, pondera.

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques