Só com prostitutas, por favor

Só com prostitutas, por favorRedd Angelo / unsplash

Homens, se imaginem na seguinte situação: tudo parece estar bem na sua vida, a carreira vai bem e você tem uma boa namorada, a quem ama. Então ela te surpreende com a notícia de que está apaixonada por outro e vai te largar. O que você faria?

Isso aconteceu com o quadrinista canadense Chester Brown, que decidiu começar um celibato que durou três anos. Nesse período, ele remoeu os aspectos negativos do amor nos tempos modernos. Chegou, inclusive, a dividir o apartamento com a ex-namorada e o atual amante dela por algum tempo. Diante de uma situação a que muitos não conseguiriam enfrentar, o principal pensamento de Brown era a falta de sexo e como consegui-lo sem ter que começar um novo um namoro.

Tímido e com histórico apenas de relacionamentos estáveis, ele não conseguia simplesmente sair e procurar mulheres dispostas a apenas transar. A solução encontrada foi pagar por isso. Ao todo, Brown teve relações com 23 prostitutas diferentes e, graças a essa experiência, ele ilustrou e roteirizou a HQ Pagando por sexo, lançada recentemente no Brasil pela editora WMF Martins Fontes.

O livro narra a história autobiográfica de Brown e vai além, com reflexões sobre o papel da prostituta, como o homem se sente, os medos e a reação de quem vê a situação de fora, tudo de uma forma bem direta. Os traços preservam a identidade das garotas, não mostrando os rostos ou características marcantes como tatuagens ou piercings.

Em entrevista à Revista Alfa, Chester Brown diz acreditar que o problema dos relacionamentos é a chamada “monogamia possessiva”. Para explicar sua afirmação, conta que, dentre as várias experiências com prostitutas, ele conheceu Denise. Ela fugiu do padrão que ele tinha com as outras mulheres, então ele afirma que teve que “reconhecer que tinha um sentimento que não era só amizade ou só sexo. Senti um carinho e algumas emoções por ela que se aproximam do que se classifica como amor romântico, e fez mais sentido ficar com ela”.

Os dois não estão em um namoro. Ele continua pagando pelo sexo com ela e ambos têm liberdade de transar com outros parceiros. Ela parou de atender outros clientes e ele afirmou que não teve desejo de encontrar outras prostitutas. Apesar de soar como um relacionamento, Brown diz que Denise gosta dele como pessoa, mas não o ama e os dois não quiseram assumir nenhum tipo de compromisso. Por isso ele continua pagando e afirma: “Estou muito feliz com a situação que tenho com ela”, disse.

Quem fez uma resenha bem interessante do livro foi Raquel Pacheco, a ex-garota de programa Bruna Surfistinha. Segundo ela, o livro “deveria se tornar leitura obrigatória em prostíbulos”.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.