Pai da mulata Gabriela. Assim ficou conhecido Jorge Amado, escritor baiano que completaria hoje 100 anos se ainda estivesse vivo. Gabriela, Cravo e Canela, entretanto, é apenas uma das 32 obras que publicou ao longo dos seus 89 anos.
A história de Jorge Amado na literatura começou com O país do Carnaval, em 1931. Na época, tinha 18 anos e era um estudante de Direito na cidade maravilhosa. Bem recebido pela crítica e pelo público, o livro fala de uma juventude inquieta em busca de verdades através do personagem Paulo Rigger e suas idas e vindas pelas rodas boêmias e literárias na Bahia.
Nem bem o primeiro livro foi publicado e o segundo já estava sendo produzido. Cacau chega às prateleiras 1932, causando rebuliço. Imediatamente o livro foi apreendido pela polícia – e devolvido dois dias depois graças ao então ministro do Exterior, Osvaldo Aranha. Cacau não choca só porque traz o dia a dia da labuta nos cacauais da Bahia, mas principalmente porque tem José Cordeiro, o Sergipano, como personagem principal. Trabalhador em uma grande fazenda, ele divide um casebre com outros companheiros de trabalho e se recusa a casar com a filha do patrão para correr atrás do seu “sonho revolucionário”. Já na sua segunda obra, Jorge Amado mostra seu engajamento na militância comunista, na qual permaneceria ainda por muitos anos.
Dando um salto no tempo – e nos livros –, vamos para 1943 e 1944. Nestes anos foram publicados, respectivamente, Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus. As duas obras se completam ao apresentarem a conquista de terras virgens para a plantação e a formação da sociedade do cacau com os seus coronéis, capangas, beatas e prostitutas.
A realidade da região e suas lutas violentas pela posse de terras e os lucros volumosos vindos do cacau são retratados por Jorge Amado em um momento turbulento da sua vida pessoal. Em 1942, o escritor acabava de voltar do exílio na Argentina tinha sido preso por três meses no Rio e vivia desde então em Salvador, por determinação da polícia.
A sua última obra, O milagre dos pássaros, foi publicada em 1997, quatro anos antes de sua morte. O livro, algo entre um conto e uma novela, traz uma história já muito presente na tradição popular do sertão nordestino. A traição da mulher mais bonita e desejada da região, esposa do capitão-pistoleiro-matador, com o forasteiro dado às artes e ao galanteio. Na narrativa contada pelas mãos de Jorge Amado, os personagens ganham os nomes de Sabô, capitão Lindolfo Ezequiel e Ubaldo Capadócio. O milagre dos pássaros foi escrito em 1979, por encomenda, para ser distribuído como presente de fim de ano de uma instituição financeira, e só depois foi publicado comercialmente.
Para saber mais sobre as obras do escritor baiano, clique aqui.
Informações da Fundação Casa de Jorge Amado.


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