Filmes que são bem melhores que os livros

Filmes que são bem melhores que os livroskaboompics / reprodução

Pense por um instante em quantas vezes você já ouviu ou disse a frase: “O filme é bom, mas o livro é muito melhor”. Não é novidade para ninguém que muitas adaptações das páginas para a película acabam sendo uma frustração para os fãs dos livros que serviram de inspiração. Mas e o contrário? Com o objetivo de fazer justiça aos amantes da sétima arte (e também querendo colocar um pouquinho mais de lenha na fogueira da discussão), o site Complex Pop Culture  fez uma lista com 50 filmes que são melhores do que seus originais literários.

Dentre os critérios apontados pelo site estão: o apelo visual das histórias, o brilhantismo de diretores clássicos, o talento nas atuação, a capacidade do cinema de deixar enredos mais digeríveis e vários outros fatores. A lista dos 50 livros-adaptações, apresenta grandes clássicos tanto da arte das letras quanto do mundo encantado dos frames por segundo. Para te deixar com vontade de entrar na discussão, confira abaixo cinco exemplos traduzidos livremente da lista pelo Pra Ler e, no final do post, clique para acessar a original (em inglês).


1 – 
Laranja Mecânica – Livro de Anthony Burguess (1962), adaptação de Stanley Kubrick (1971)
O romance de Anthony Burguess trata-se de uma bela visão distópica. Laranja Mecânica é um livro difícil para o público padrão entender. Um delinquente juvenil, personagens causadores de problema, vivendo em uma Inglaterra futurista e irreconhecível, falando uma gíria bizarra inspirada no inglês antigo (com dicção eslava!) e usando neologismos como “droggies”. Para se ter uma ideia, algumas edições atuas em inglês vêem com um glossário extenso para ajudar na incursão.

Pelo simples fato de fazer um produto mais fácil de digerir, a adaptação intencionalmente exagerada de Stanley Kubrick é geralmente a versão preferida. Porém,seus méritos vão além do argumento superficial de que “é mais fácil ver do que ler”. O filme de Kubrick é, de fato, totalmente diferente de qualquer outra coisa, uma obscura comédia que invade sua cabeça com imagens horríveis (vide cena de estupro coletivo ao som de Singing in the rain), sem falar na atuação sinistramente carismática de Malcolm McDowell.


2 – 
O exorcista – Livro de William Peter Blatty (1971), adaptação de William Friedkin (1973)
O livro, enfatiza a importância do “como” e do “porquê”. No romance fantástico de William Peter Blatty, a possessão demoníaca da jovem Regan MacNeil é racionalizada sem nenhuma finalidade aparente, com personagens que vão de sacerdotes a uma proeminente detetive em busca de respostas para explicar a situação. E ainda, com a personagens ricos e intrigantes, deixando o “não-demônio” em em um enredo secundário, o romance de Blatty é uma ótima leitura.

Porém, nenhuma das ótimas descrições do livro se compara com o “acho que acabei de fazer cocô nas calças de tão assustador” filme de Friedkin, de 1973. Ao cortar fora algumas subtramas do livro, o filme se focou na determinação do padre em livrar a pequena Regan da sua aflição em estar possuída, levando a uma sequência de cenas de possessão perturbadoras  com direito a quebra de tabus. Além, claro, dos impagáveis momentos “que merda é essa?” como o da menina dizendo a frase: “sua mãe faz boquete no inferno!!”.


3 – O poderoso chefão – Livro de Mario Puzo (1969)adaptação de Francis Ford Coppola (1972)
Muitos fatores contribuem para o fato de O poderoso chefão, de Francis Coppola, seja um dos melhores filmes de todos os tempos. Para começar, há atuações fenomenais, direção elegante e memoráveis hits. Mas um elemento que merece destaque e nem sempre é citado é a astúcia de Coppola e a fase de roteirista de Mario Puzo. No livro, a trama é menos despojada, pois a trama dos personagens são diluídas mais do que o necessário em vários sub-enredos, prolongando os principais eventos da família Corleone (em um certo instante, por exemplo, há uma longa passagem em que a vagina da amante de Sonny fica “medicamente encolhida”). Por meio de um bom script, Puzo e Coppola se livraram das partes acessórias.

Há uma razão, porém, que torna as mudanças técnicas da adaptação livro-filme dificilmente discutíveis. O poderoso chefão é um dos filmes mais bem produzidos de todos os tempos. Quando Vitor Corleone diz: “Eu vou fazer uma oferta que ele não vai poder recusar”, no livro, é uma fala importante,mas não chega nem perto de ser tão impactante quanto a fala, expressa com uma ameaça calculada na voz de Marlon Brando, produzindo um silêncio feroz.

4 – O Jardineiro Fiel – Livro de John Le Carré (2001),adaptação de Fernando Meirelles (2005)
É claro que não poderia faltar um representante brasileiro na lista, e ele é ninguém menos que Fernando Meirelles. O escritor John le Carré é reconhecido como um dos mais renomados autores britânicos quando o assunto são livros de espionagem. De todos os seus trabalhos publicados, O Jardineiro Fiel foi o que deu origem ao melhor filme – e que filme! Dirigido por Meireles em 2005, o longa traz Ralph Fiennes como um ativista envolvido em uma conspiração mortal para vingar a morte de sua esposa, assassinada na África.

O filme é densamente construído e tem passagens chocantes (os flashbacks têm um papel essencial), com um resultado tão cinicamente triste como é tradicional nos trabalhos de Carré. E você aí pensando que se tratava de uma comédia sobre horticultura.


5 – Bonequinha de luxo – Livro de Truman Capote (1958)adaptação de Blake Edwards (1961)
A comédia romântica à moda antiga de Blake Edwards, baseada no texto bem mais soturno de Capote, é o ancestral mais estimado dos fãs do gênero cinematográfico tão popular atualmente. Sim, esse mesmo tipo de filme que agora é estrelado por Jennifer Aniston, Jennifer Lopez ou qualquer outra atriz louca por um salário generoso em troca de uma atuação sem esforços.

Porém, Bonequinha de luxo passa longe de ser insuportável. O desempenho brilhante de Audrey Hepburn como a mulher rica com medo de um compromisso sério, Holly Golightly, inveja uma perfeita mistura de vulnerabilidade e seriedade à personagem pouco desenvolvida por Capote. Além disso, para aqueles homens que são partidários incondicionais das tramas policiais, Holly fica presa em uma trama com comércio de drogas em determinado ponto da história. Então, sim, Audrey Hepburn é mais durona que todos esses falsos gansters do rap.

Gostou do Top 5? Pois tem muito mais: A Ilha do medoTrainspottingClube da lutaPsicose e O iluminado são só mais alguns exemplos.

Para ver a lista completa, clique aqui.

Ennio Rodrigues

Adoro as mais improváveis viagens que se pode imaginar a partir de um texto, até as divergentes. Não sou leitor precoce, mas tenho uma ótima arma: curiosidade. D’O Guia do Mochileiro das Galáxias ao Machado. Foi um amigo que disse certa vez e concordo: “nem que passasse a vida inteira a ler, terminaria todos os Clássicos! Em vez disso, prefiro apenas tentar encontrar livros que me tirem do lugar”.