[Fórum das Letras] Como se faz um livro digital?

Thais Marinho | Pra Ler

Possível chegada da Amazon ao Brasil, lançamento do Kobo pela livraria Cultura, aumento das vendas, adesão das grandes editoras… é, o mercado de e-books está crescendo no Brasil. A atual situação brasileira faz com que o tema seja uma boa pedida para discussões na 8ª edição do Fórum das Letras de Ouro Preto.

No dia 24 de novembro, alguns convidados se encontraram para debater “A trajetória do livro impresso e digital do autor ao leitor”. Entre eles, Sérgio França, editor de e-books e coordenador editorial do Grupo Editorial Record. O Pra Ler, em parceria com a Rádio UFMG Educativa, esteve por lá. Confira a conversa que tivemos com ele:

Quais as diferenças no processo de produção de um livro digital?
Muitas pessoas pensam que é fácil fazer um livro digital. Você terminou de escrever, bota um ponto final, coloca no computador e pronto. Não. Existe muito livro digital ruim. Ele precisa do mesmo cuidado e de todas as fases de um livro impresso, para que só depois, com a garantia de um trabalho excelente, ele passe para o processo de conversão.

Aliás, o livro digital não é tão mais barato que o livro impresso. Isso é por que o processo de produção é mais ou menos o mesmo?
Certamente. O livro não é só papel. Todas as etapas do processo de produção custam dinheiro. São dadas a profissionais gabaritados. As editoras estão convencionando, em sua ampla maioria, que o livro digital custará 30% do que sua versão impressa. É importante a gente perceber que o livro não pode ser barato demais por que senão ele vai depreciar todo esse grande ecossistema literário que precisa ser remunerado para que possa sempre trazer um produto de boa qualidade.

E o mercado desse livro digital. Como você avalia: está crescendo mesmo, é um nicho a ser explorado?
É um crescimento contínuo, mas ainda é pequena a venda do livro digital no Brasil. O país tem uma falha na base instalada de internet. A banda larga no Brasil é cara. Para você ter uma ideia, a banda larga é oito vezes mais cara que no Japão e vinte e quatro vezes mais cara que nos Estados Unidos. Mas estão sendo feitas várias iniciativas que vão baratear a internet e os preços dos aparelhos e, aí sim, acreditamos que vai haver uma grande adesão bem maior ao livro digital.

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.