[Fórum das Letras] A cara do livro

Thais Marinho | Pra Ler

Com mais de 500 capas no currículo, Leonardo Iaccarino, gerente de design do grupo editorial Record, foi convidado pelo 8º Fórum das Letras de Ouro Preto para discutir, no dia 25 de novembro, “A cara do livro: a construção da linguagem visual de capas de livro”. O designer gráfico e de produto levou o Prêmio Jabuti em 2012 pela capa de “A anatomia de John Gray”.

O Pra Ler, em parceria com a Rádio UFMG Educativa, passou pela cidade histórica durante o evento, realizado entre os dias 22 e 25 de novembro. Conversamos com Leonardo Iaccarino. Leia um trecho da conversa e ouça a história da capa vencedora do Jabuti.

 

Como você vê a importância da capa para um livro?
Olha, acho que eu sou meio suspeito para falar (risos). Eu trabalho fazendo capas, então minha resposta é tendenciosa. Mas eu acho que todo mundo reconhece a importância da capa. Hoje ela é uma ferramenta mercadológica para tentar impulsionar o produto. Nós temos muitos livros sendo colocados no mercado, a disputa é muito grande e o livro tem muito pouco tempo na livraria. A capa valoriza o livro. No mundo em que a gente vive, de tantas imagens, eu acho que a capa tem uma função de síntese. Você tem uma fração de segundos para bater o olho e se interessar ou não. A capa é o convite ao livro.

Na hora de se produzir uma capa, o que você leva em consideração?
A primeira coisa é que você tem que entender qual é a do livro. Dificilmente a gente lê o livro todo por que não tem tempo. Mas acho que isso não vem a ser um problema, porque você lê o suficiente: algumas partes do livro, uma resenha, um resumo… A capa não tem que contar a história. Isso o texto faz. A capa tem que apresentar a obra. Ela te chama, ela te induz, ela te mostra: que livro é este? O designer faz o papel de transformação de uma linguagem escrita, literária, em uma linguagem visual, a partir do olhar dele.

Leo Iaccarino mergulhou nos sentidos, formas e densidades do livro de Jonh Grey para criar a capa que levou o Prêmio Jabuti 2012:

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.