Dez atitudes que irritam os editores

Dez atitudes que irritam os editoreskaboompics / reprodução

Eles dependem um do outro. Todo escritor gostaria de ter um bom editor para publicar seu livro. E todo editor precisa de bons escritores para garantir o sucesso de sua editora. Mas a relação nem sempre é um mar de rosas.

Para contar um pouco sobre as venturas e desventuras de ser um editor, o argentino Mario Muchnik, que trabalhou mais de 40 anos na área, escreveu Oficio Editor, um ensaio autobiográfico. No livro, ele conta as transformações pelas quais a profissão passou ao longo dos anos e explica ao leitor como são feitos os livros e os problemas enfrentados atualmente para publicar uma obra.

Muchnik, que colecionou amizades e inimizades com grandes escritores, dedica uma divertida página da obra aos inseparáveis colegas de trabalho. O editor comenta sobre comportamentos dos autores que complicam o relacionamento delicado entre quem escreve e quem publica.

1) Nem uma vírgula
Muchnik conta que existem escritores que “não admitem que mudem uma vírgula de seu texto”, mesmo se editor acredita que sem modificações não será possível compreender o que o autor escreveu.

2) Pitacos no visual
Outro motivo de conflito tem a ver com a capa. De acordo com Muchnik, alguns escritores tentam impor sua própria ideia de capa ao livro.

3) Problemas com tradução
Conta Muchnik que autores estrangeiros costumam se intrometer em uma tradução mesmo “sem saber uma só palavra de espanhol”.

4) Quando a revisão passa longe
Parece piada, mas o autor de Oficio Editor também garante que alguns escritores entregam seus manuscritos sem corrigir, como se essa fosse uma tarefa do editor.

5) Máquina de idéias
Tem autor que é um poço de fertilidade. Muchnik comenta o caso de escritores que escrevem dois ou três livros por ano para que a editora publique. Haja inspiração!

6) Quando o editor apanha na leitura
Para o autor de Oficio Editor, é comum que os escritores entreguem seus manuscritos cheio de lacunas no enredo. A edição se torna uma árdua tarefa de interpretação.

7) Escritor chiclete
Aquele que liga uma ou mais vezes por dia para ver a quantas anda a produção de sua obra irrita a qualquer editor. É o que garante Muchnik.

8) Empurrãozinho aos amigos
O escritor solidário que já tem uma editora se esforça por emplacar os textos dos seus amigos desamparados. Insuportável, de acordo com o editor.

9) LivroProntoFINAL2.pdf
Quando o livro está quase chegando na fase de impressão, surgem as dúvidas existenciais. Fechar um arquivo dói. O editor afirma que uma das atitudes mais repetidas é enviar a “última versão” do texto mais de uma vez.

10) A crise da desigualdade
É comum que os escritores se sintam “explorados” pelos editores. “Os escritores vão pelo mundo convencidos de que o editor se enriquece a custa deles”, afirma Muchnik. Para ele, essa ideia é falsa já que os autores ficam com 10% do preço do livro enquanto o editor recebe 20%, mas tem que arcar com os custos de impressão, gastos gerais e impostos.

Vimos em Lainformación.com 

A imagem que representa Mario Muchnik foi retirada daqui

Julia Marques

Julia Marques

Quando era bem pequena resolvi escrever um livro. Era a história de um barquinho que perdeu o rumo no mar. Desde então, minha relação com a literatura vem em ondas: às vezes bate forte, sacudindo tudo. Outras vezes sossega. Encontrei no Pra Ler o sopro para essa aventura. Meu barquinho infantil segue cambaleando por esse mar de histórias, personagens, e cenários. Talvez um dia ele aviste um porto.
Julia Marques