Autores russos viram técnicos esportivos

Autores russos viram técnicos esportivosRedd Angelo / unsplash

Durante o ano de 2009, o Programme for International Student Assessment (PISA) realizou uma pesquisa mundial para avaliar o nível de leitura em diversos países. Dentre os resultados, um deles chamou a atenção do governo russo: os adolescentes do país estavam lendo cada vez menos. Esse fato alertou a Agência Federal de Publicações e Comunicações em Massa e a União dos Livreiros Russos para os rumos que a educação do país estava seguindo. Eles então resolveram agir.

Para incentivar os jovens a adquirir o hábito da leitura, foi contratada a agência russa Slava, que apresentou uma forma no mínimo inusitada de revisitar os grande clássicos da literatura do país. Autores como Leon Tolstói (Guerra e Paz,Anna Karenina), Anton Chekov (As três irmãsTio Vânia) e Alexander Pushkin (O prisioneiro do Cáucaso e Eugene Onegin) foram transformados pela campanha em treinadores esportivos, com a função não de exercitar o corpo, mas sim o cérebro.

O produto final traz um Tostói animador, falando para que você não desistir, pois a partir da página 500 você ganha um novo fôlego. Chekov anuncia que “três sessões diárias de sete páginas por dia e em uma semana você percebe os resultados”. Já Pushkin aconselha: “Comece com textos leves e, gradualmente, aumente o peso da leitura”. As ilustrações foram feitas pelo artista digital russo, Max Kostenko. A tipografia ficou a cargo do também russo Alex Matveev.

Segundo o site da Slava, “os resultados foram esmagadores”. O assunto virou um dos principais tópicos em sites especializados e virou pauta em grandes canais de televisão russos. Junto com a campanha impressa, foi produzido também um vídeo, no qual os autores cantam um rap para promover a leitura. Ou pelo menos é isso que o site da agência diz, já que não entendemos nada de russo e, por isso, foi impossível compreendê-lo. Você pode se aventurar no rap clicando aqui.

Vimos no Briefpost

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.