Do lixo, uma capa

Do lixo, uma capaDylan Luder / unsplash

Engana-se quem pensa que é fácil criar a capa de um livro. Já falamos aqui no Pra Ler sobre a saga de produzir a “cara” de uma obra, desde a sua primeira ideia até o resultado final (aqui e aqui). A Editora Cosac Naify contou no seu blog um pouco da saga que foi produzir a edição brasileira de Trash, best-seller do escritor inglês Andy Mulligan. A obra já foi traduzida para 25 idiomas e a capa feita para o Brasil foi considerada a mais bonita entre todas as já publicadas, de acordo com o julgamento da equipe envolvida com a edição original – que inclui os editores ingleses e o próprio autor.

Trash conta a história de Raphael, Gardo e Rato, três adolescentes que reviram lixo em busca do sustento da família. Foi também a partir do lixo que nasceu a capa, as aberturas do livro e dos capítulos. Ao longo de uma semana, as designers Flavia Castanheira e Nathalia Cury acumularam papel amassado e embalagens recicláveis suficientes para encher um saco de dezenas de litros – que chegou a ser confundido de fato com lixo.

Todo o material foi xerocado e várias composições foram feitas até se chegar a um resultado esteticamente bonito. As imagens foram tratadas e sobrepostas, de forma que ficam mais escuras à medida que o leitor avança na leitura. Quanto mais o lixo se acumula, menos dele se vê. “Ele se sobrepõe e se anula à medida que os conflitos vão se resolvendo. Assim, quanto mais perto do final, mais legível fica o texto da abertura – algo que se destaca dentre tudo aquilo que é jogado fora”, explica a editora no blog.

Conheça mais sobre o processo de criação, aqui.

Thais Marinho

Ainda são poucos os livros na minha estante e muitos na lista para serem lidos, mas a paixão por eles já está há muito tempo instalada. Hoje, cá estou, quase ex-jornalista, estudante de Letras, atualmente em terras hermanas, desbravando o argentinês e as literaturas hispano-americanas.