Tradução de Clarice Lispector concorre a prêmio nos Estados Unidos

Tradução de Clarice Lispector concorre a prêmio nos Estados UnidosRedd Angelo / unsplash

Um sopro de vida: Pulsações foi o último romance escrito por Clarice Lispector, que morreu meses antes do lançamento da obra, em 1978. Após 34 anos, o livro recebeu a primeira  tradução para a língua inglesa, feita por Johnny Lorenz, filho de imigrantes brasileiros e professor na Universidade Montclair State, e publicado pela New Directions.

Sob o título de A Breath of Life: Pulsations, agora a obra está na disputa para ser a melhor tradução para o inglês em 2012. O Translated Book Award, realizado desde 2009 pelo site Three Percent, congratula as melhores traduções de ficções e poesias lançadas nos Estados Unidos. Neste ano, nove outros livros concorrem com a obra de Clarice, sendo três escritos originalmente em francês, dois em alemão e os outros em espanhol, persa, húngaro e russo, de nove países diferentes.

O vencedor será conhecido no dia 3 de maio, em uma cerimônia realizada em Nova Iorque. O tradutor e o autor das obras premiadas levarão 5000 dólares (aproximadamente dez mil reais) cada um, oferecidos pela Amazon, e um troféu.

Confira abaixo os outros finalistas na categoria ficção, em que concorre o livro de Clarice, e na categoria poesia:

Melhor Livro Traduzido de 2013: Ficção
The Planets, de Sergio Chejfec – Traduzido do espanhol por Heather Cleary (Open Letter Books; Argentina)

Prehistoric Times, de Eric Chevillard – Traduzido do francês por Alyson Waters (Archipelago Books; França)

The Colonel, de Mahmoud Dowlatabadi – Traduzido do persa por Tom Patterdale (Melville House; Irã)

Satantango, de László Krasznahorkai – Traduzido do húngaro por George Szirtes (New Directions; Hungria)

Autoportrait, de Edouard Levé – Traduzido do francês por Lorin Stein (Dalkey Archive Press; França)

A Breath of Life: Pulsations, de Clarice Lispector – Traduzido do português por Johnny Lorenz (New Directions; Brasil)

The Hunger Angel, de Herta Müller – Traduzido do alemão por Philip Boehm (Metropolitan Books; Romênia)

Maidenhair, de Mikhail Shishkin – Traduzido do russo por Marian Schwartz (Open Letter Books; Rússia)

Transit, de Abdourahman A. Waberi – Traduzido do francês por David Ball e Nicole Ball (Indiana University Press; Djibuti)

My Father’s Book, de Urs Widmer – Traduzido do alemão por Donal McLaughlin (Seagull Books; Suíça)

Melhor Livro Traduzido de 2013: Poesia
Transfer Fat, de Aase Berg – Traduzido do sueco por Johannes Göransson (Ugly Duckling Press; Suécia)

pH Neutral History, de Lidija Dimkovska – Traduzido do macedônio por Ljubica Arsovska e Peggy Reid (Copper Canyon Press; Macedônia)

The Invention of Glass, de Emmanuel Hocquard – Traduzido do francês por Cole Swensen e Rod Smith (Canarium Books; França)

Wheel with a Single Spoke, de Nichita Stanescu – Traduzido do romeno por Sean Cotter (Archipelago Books; Romênia)

Notes on the Mosquito, de Xi Chuan – Traduzido do chinês por Lucas Klein (New Directions; China)

Almost 1 Book / Almost 1 Life, por Elfriede Czurda – Traduzido do alemão por Rosmarie Waldrop (Burning Deck; Áustria)

Sobre o projeto
O site Three Percent é uma iniciativa da Universidade de Rochester, criado em 2007, e tem como principal objetivo ser o destino de leitores,editores e tradutores interessados em literatura internacional, moderna ou contemporânea. O nome vem do fato de que somente cerca de 3% dos livros publicados nos Estados Unidos são traduções de outras línguas. E se for considerado apenas as traduções de ficções literárias e poesias, o número cai para 0,7%.

Com isso, os livros traduzidos dificilmente recebem a atenção da mídia e têm um futuro difícil nas livrarias. O site tenta mudar isso, pelo menos um pouco. “Ler a literatura de outros países é vital para mantermos uma cultura literária vibrante e para aumentar a troca de ideias entre diferentes culturas”, afirmam no site.

Brunin Assis

Cheirei um livro pela primeira vez aos quatro anos. Aos dez já era frequentador de bibliotecas. Aos quinze comecei a consumir exemplares mais pesados. Aos vinte não conseguia mais sair de casa sem um livro. Hoje sonho em ter uma casa cheia deles, mas tenho medo de ser preso por tráfico de cultura.