5 histórias para saber mais sobre a loucura

No dia da Luta Antimanicomial, conheça histórias que têm a loucura como personagem
5 histórias para saber mais sobre a loucura"FROG SOUND: Isso não é um sorvete", espetáculo do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados, formado em 2002 a partir do trabalho da atriz Juliana Barreto nas oficinas de teatro nos Centros de Convivência da Rede Pública de Saúde Mental de Belo Horizonte. A partir do autorreconhecimento dos usuários como artistas, o delírio é transformado em discurso poético e permite também repensar e ampliar as formas de conceber a criação cênica.

O dia 18 de maio é nacionalmente reconhecido como o Dia da Luta Antimanicomial. Na data são realizadas, por todo o país, manifestações em favor de um modelo de Atenção à Saúde Mental que proteja os direitos das pessoas com transtornos mentais e privilegie o oferecimento de um tratamento psiquiátrico de base comunitária, longe dos Manicômios e Hospícios.

De 1987, quando a data foi instituída, para cá, muita coisa mudou, principalmente após a aprovação da Lei nº 10.216, de 2001, também conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, sobretudo no que diz respeito aos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, conhecidos popularmente como manicômios judiciários, instituições responsáveis por cuidar de doentes mentais que cometeram crimes.

Por isso o Dia da Luta Antimanicomial continua sendo importante.

Para não deixar a data passar em branco, separamos 5 bons livros para entender mais sobre a loucura e a saúde mental.

Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex

Não é a toa que a jornalista Daniela Arbex compara o maior hospício que já existiu no Brasil com o genocídio ocorrido durante a II Guerra Mundial. Segundo estimativas da autora, 60 mil pessoas morreram em Colônia, manicômio localizado na cidade mineira de Barbacena. No livro reportagem, além de descrever a cruel rotina do lugar, Daniela conta como o hospício era um verdadeiro depósito de pessoas incômodas e indesejadas. Grande parte das pessoas era internada à força e sem diagnostico de doença mental. Órfãos, mulheres que perderam a virgindade antes do casamento, homossexuais e mendigos eram trancafiados em Colônia.

Sorôco, sua mãe, sua filha, de Guimarães Rosa

A maioria dos loucos e sãos que chegavam ao Hospício de Barbacena fazia o caminho até a cidade por uma das muitas linhas de trem que passavam pela região. O conto de Guimarães Rosa, pertencente ao livro Primeiras estórias, narra a história de Sorôco, homem viúvo que se encaminha com sua mãe e filha para embarca-las no trem que as levaria para o manicômio.

O Alienista, de Machado de Assis

Nessa novela de Machado de Assis, Simão Bacamarte, renomado psiquiatra, chega à cidade de Itaguaí com um objetivo: exterminar a loucura do vilarejo. O doutor começa internando os loucos na Casa Verde, mas logo prende também os bajuladores, os esbanjadores, os sovinas, os vaidosos e quem mais lhe aparece pela frente. Até não sobrar mais ninguém nas ruas da cidade.

Jerusalém, de Gonçalo Tavares

Mylia, Ernst, Kaas, Theodor, Hinnerk. As personagens têm em comum o fato de terem suas vidas entrelaçadas pelo Hospício Georg Rosemberg. Em Jerusalém vemos os limites entre a loucura e a razão. O livro do escritor português Gonçalo Tavares recebeu críticas elogiosas e foi ganhador do prêmio literário José Saramago.

Um, Nenhum e Cem Mil, de Luigi Pirandello

Certo dia, por intermédio de sua esposa, Vitangelo Moscarda descobre que seu nariz cai levemente para a direita. A conversa despretensiosa o leva a perceber que ele não é quem pensa que é. A partir daí, o poeta, dramaturgo e romancista Luigi Pirandello nos leva a refletir sobre como somos um ser diferente para cada pessoa que nos vê e sobre nossa impotência diante da imagem que cada um forma de nós. Tal reflexão é levada ao extremo pela personagem que, ao tentar desconstruir as imagens criadas sobre ele, começa a ser taxado de louco por amigos, familiares e moradores da cidade em que vive.

Atenção!

Em Belo Horizonte, a manifestação pela Luta Antimanicomial é organizada pelo Fórum Mineiro de Saúde mental e se concentra na Praça da Liberdade, a partir das 13 horas do dia 18 de maio. Quem puxa o bonde é a Escola de Samba Liberdade ainda que Tan tan.

Stéphanie Bollmann

Lendo mais e mais, sempre na esperança de que os melhores livros, as melhores frases e ideias, estejam todos escondidos nas próximas páginas.